segunda-feira, 29 de junho de 2009

Momento "Você sabia?"

O número de internautas no Brasil é duas vezes a população do Canadá: 62 milhões de usuários (Ibope Nielsen Online, maio 2009)
Se comparado a TV aberta, jornal impresso, revistas, rádio e até ao cinema, a Internet é o meio que mais cresce em penetração no Brasil. Atinge aproximadamente 40% da população (Ipsos Marplan) Mais de 60% dos jovens de 10 a 24 anos estão online (Ipsos Marplan)
Embora tenha uma quantidade menor de habitantes, Salvador (41%) tem mais internautas que São Paulo (39%) (Ipsos Marplan) O Brasil é o país onde as pessoas passam mais tempo online no mundo (Ibope NetRatings) Em 2008, vendeu-se mais computadores do que TVs no Brasil (ABINEE)

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EVOLUÇÃO

do fotógrafo profissional.

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São João (sem graça) na capital

São João no asfalto não tem graça não. Festa junina nordestina precisa ter chão de terra batida, fogueira e balão. Balão de mentirinha, daqueles que enfeitam os postes e o salão. São João no asfalto tem cheiro de nada. Fiquei aqui na cidade e não me restou muita opção. Fui na Perini comprar uns quititutes, depois acabei indo pro cinema. Tem graça? Tem graça não. Lá na casa de minha vó, em Jequié (fala-se Jiquié), no interior da Bahia, a gente acorda com cheiro de milho cozido. Da mesma espiga, faz o bolo, a canjica e o mingau. Com o fubá, faz mais bolo e cuzcuz. E tem a tapioca, hummmm. Bolo de tapioca, cuzcuz de tapioca, mingau de tapioca. Beijuzinho com manteiga, hummmm. Tudo muito gosto. Ainda tem o amendoim. Eiiitaaaa. Com o amendoim ninguém se segura, só pára de comer quando termina na panela. Pode ser torrado ou cozido. E pode ser também com uma cobertura açucarada. Dele, surge o pé de moleque e a paçoca. Muito gosto. Mas a minha queda mesmo é pelo aimpim: não há nada mais gostoso que bolo de aimpim com café preto, passado na hora. E o Licor? De maracujá, cacau, o clássico de jenipapo, de jabuticaba, laranja. A vizinha de minha vó faz até de pétala de rosa. Eiiiiita coisa boa. De noite, todo mundo põe uma roupa bonita e vai com seu par pro arrastapé. Se não tiver par, não tem problema: nunca falta convite para dançar na noite de São João. Os rapazes tiram as moças, enquanto o couro come no centro do salão. Sanfona abre e fecha, bate o triangulo e a zabumba, ê, é noite de São João. De repente, improvisam uma quadrilha. Vem a cobra, vem a chuva. Pulam a fogueira e vem o beijo. Às vezes, até casamento. Verdade que essa festa tipicamente nordestina está praticamente em extinção. É preciso garimpar um bom destino para sentir o autentico São João. Se a cidade não tiver coreto, nem vá. Não vá não. Capaz de encontrar um trio elétrico acompanhado por uma multidão. Aqui na Bahia, já há alguns anos, a indústria do axé também toma conta do São João. É um tal de forró do Sfrega, da Margarida, da Xereca, do Bosque, do Piupiu, da putaquepariu. E tome Chicletão, Cláudia Leite, Calcinha Preta, Asa de Águia, Calypso, Alexandre Peixe etc etc etc. Horas e horas de qualquer coisa que nem de longe parece com o autêntico forró. E todo mundo se embriaga, se agarra, perde o juízo. Eiiiita carnaval. É mole não. Lá nas bandas no meu interior, no forró pé de serra, a gente lembra de Jackson do Pandeiro, o cabra da peste, e de Luiz, o rei do baião. Eiiiitaaa. É muito xote e satisfação.

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domingo, 28 de junho de 2009

Os segredos de Michael

Ele teria deixado uma biblioteca secreta com cerca de 100 músicas inéditas para os filhos

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sábado, 27 de junho de 2009

Notícias do frio

Patrícia chamou no msn agora à noite, às 22:30. Recebera um telefonema pedindo ajuda para Lara* uma das adolescentes que encontramos nas ruas e uma das nossas fontes e personagem durante reportagem sobre a prostituição de crianças e adolescentes.
Lara foi internada no Hospital Universitário com dependência de crack. Será levada para Porto Alegre amanhã pela manhã.
A irmã, angustiada, conta que a menina vendeu todas as roupas para comprar droga. Hoje pediu socorro e foi levada ao HUSM com uma blusa de lã e um chinelo de dedo da irmã para não ficar descalça. O termômetro aqui marca 4º. A internet funciona para acionar uma rede mínimamente fraterna - chamo a Fran que rapidamente se agiliza e em uma hora recolhemos roupas e sapato. Quase meia-noite quando Patrícia passou aqui para pegar a última leva. Uma hora depois me ligou e disse que Lara está incomunicável e dorme, sedada. Ia avisar a irmã que as roupas foram deixadas no hospital. Quando a conhecemosm Lara tinha 17 anos. Era uma das muitas meninas cujos destinos são a beira das estradas,as boléias de caminhão ou as ruas desde muito cedo. Ela começou aos 13. Há dois anos perdemos o contato com elas. Há muitos outros anos, a sociedade vem desfazendo o vínculo com os mais frágeis socialmente.
Nessa semana, o ministro Arnaldo Esteves Lima do Supremo Tribunal da Justiça, relator do processo que negou a condenação de dois homens que pagaram para fazer sexo com duas meninas, à época com 12 e 13 anos, no Mato Grosso do Sul, manteve a decisão, alegando que ser "cliente ocasional" e pagar o sexo não constitui existência de crime. E que a prostituição é a mais antiga das profissões.
Condenou sim às meninas... as de lá, as de cá, as do Brasil. É a condenação da infância e do nosso futuro. Impossível esquecer os depoimentos dados. Impossível esquecer a sentimento de abandono das crianças levadas aos tribunais e serem tratadas como adultos criminosos. Impossível calar diante do abuso, do cinismo! Impossível não fazer nada! * Lara foi o nome fictício que usamos à época ao publicarmos a reportagem, visando protegê-las.

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quinta-feira, 25 de junho de 2009

NINA ROSA ELFA

NA FESTA DE UM CASAL ESPECIAL CONHECI UMA MULHER INCRÍVEL. ENTORNO DELA HAVIA UMA LUZ E UMA RODA SEMPRE SE FORMAVA AO REDOR DELA PRA CONVERSAR. - VOCÊ SE PARECE COM UMA ELFA. - JURA? - JURO. SUGIRO QUE VOCÊ PROCURE SABER MAIS SOBRE ELAS. ... PASSA O TEMPO E A GENTE SE ESBARRA NOVAMENTE NA FESTA. - VOCÊ GOSTA DE FAZER O QUE? - ....(SILÊNCIO) - NEM SABE AINDA NÉ? MAS OLHA, VOCÊ NÃO PRECISA TER MEDO DO QUE VOCÊ SENTE NÃO,VIU? O SEU CORAÇÃO SEMPRE VAI SABER O QUE FAZER. VOCÊ NÃO VAI FICAR SOZINHA. VOCÊ VEIO PRA AJUDAR E VAI AJUDAR. BASTA NÃO TER MEDO DO QUE VOCÊ SENTE OU VÊ. MEDO. COMO ALGUÉM ENTRA NA ALMA DA GENTE ASSIM? DEPOIS DESCUBRO QUE É TARÓLOGA. MÃE DE UMA GRANDE AMIGA. NEM PRECISOU DAS CARTAS PRA SABER TANTO DE MIM.

"Elfo é uma criatura mística que aparece com freqüência na literatura medieval européia.Nesta mitologia os elfos chamam-se Alfs ou Alfr, também chamados de "elfos da luz" - Ljosalfr. São descritos como seres belos e luminosos, ou ainda seres semi-divinos, mágicos, semelhantes à imagem literária das fadas e das ninfas. Eram divindades menores da natureza e da fertilidade. Os elfos são geralmente mostrados como jovens de grande beleza vivendo entre as florestas, sob a terra, em fontes e outros lugares naturais. Foram retratados como seres sensveis, de longa vida ou imortalidade, com poderes mágicos, estreita ligação com a natureza e geralmente como ótimos arqueiros. Os elfos são também descritos como semideuses associados à fertilidade e ao culto dos ancestrais, como os daimones gregos. Como espíritos, os elfos podem atravessar portas e paredes como se fossem fantasmas."

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Tem hora que a vida diz: faça diferente

Cena 1 A Editora: Por quê você não foi lá no buteco na última sexta? A Repórti: Foi aniversário da minha prima, não deu. A Editora : Então vamos se ver esta terça no aniversário de C. A Repórti: Ah, vamo sim. A propósito, ninguém vai sair de férias aí na sua editoria, não? Tô a fim de cobrir. A Editora: Nãooo acredito. Quer voltar pra redação??? A Repórti: Querer não quero não. Estou precisando, na verdade A Editora: Você não sabe da última? O jornal não coloca mais ninguém no lugar de quem saiu de férias. A Repórti: Nossa, que método exploratório moderno! A Editora: É. É uma forma de bater o chicote um pouco mais forte. Cena 2 Quase morro de indignação, no último domingo (21), depois de ter feito junto com Meu bem a prova da Infraero para cargos de jornalista e engenheiro civil, respectivamente, em Salvador. A Repórti: Por que a minha prova é quase 10 vez mais concorrida que a sua??? E Como se não bastasse seu salário é quase 1.000 reais mais alto que o meu, sendo que para ambos os cargos a proposta é 40h de trabalho? Por quê???? Que p* é essa???? Ele: Não sei, meu bem. Talvez pelo fato de o mercado de trabalho na sua área ser sufocante, instável, incerto. Por isso, muita gente correu para a estabilidade do concurso público. A Repórti (ressentida, raivosa, provocando): Duvido que você tenha feito a redação melhor do que eu! Ele: É isso. Tá na hora de você escrever um livro. Cargo público não parece mesmo com você.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cecília Meireles...em tempos sombrios

Jornal, longe Que faremos destes jornais, com telegramas, notícias, anúncios, fotografias, opiniões...? Caem as folhas secas sobre os longos relatos de guerra: e o sol empalidece suas letras infinitas. Que faremos destes jornais, longe do mundo e dos homens? Este recado de loucura perde o sentido entre a terra e o céu. De dia, lemos na flor que nasce e na abelha que voa; de noite, nas grandes estrelas, e no aroma do campo serenado. Aqui, toda a vizinhança proclama convicta: "Os jornais servem para fazer embrulhos". E é uma das raras vezes em que todos estão de acordo. ( in 'Mar Absoluto' )

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terça-feira, 23 de junho de 2009

Escritas

A gente não escreve porque quer.
A gente escreve porque precisa,
porque a compulsão vem,
porque a angústia aperta,
porque a vida desassossega.
A gente escreve porque alivia,
porque o pesado fica mais leve,
porque a saudade minimiza,
porque a tristeza ameniza,
e a alegria se inclui.
A gente escreve no espelho,
porque precisa ver.
A gente se escreve,
a gente se descreve,
a gente se revela,
a gente se desvela,
e a gente mergulha nela.
Só não pode,
é perder-se dela!

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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Não calar

Aqui escrevem várias mulheres jornalistas. Nem sempre, mas escrevem! Algumas são jornalistas por formação acadêmica, algumas por formação na vida. Todos movidas pela paixão e todas muito boas no que fazem. Todas se desassossegam diante do desencanto. É o que as move. Uma delas me disse na quarta última: -É...o meu diploma saiu ontem e hoje já não vale nada! Controvertida, a discussão sobre o diploma para o exercício do jornalismo ganhou proporções inimagináveis. Não dá para calar diante da forma como a decisão foi tomada no STF. Aliás, não foi uma decisão, foi uma queda de braço revestida de traços ditatoriais. Aliás, no Supremo, tudo lembra quem manda no que e em quem. Para entrar no recinto, primeiro você é barrado pelos seguranças vestidos de preto e cujo porte lembra um armário do século passado. Eles pedem a sua identidade - do cpf à certidão de batismo. Câmeras fotográficas, nem pensar! Ela pode ficar pendurado no seu pescoço, mas de olho nele também estará o segurança, pronto a saltar no primeiro gesto. O jovem assessor que assistia a votação estava debruçado sobre o braço, apoiando o queixo na palma da mão -não se sabe se segurava a cabeça por desespero diante do que ouvia, ou se a segurava porque o queixo caíra. Levou um cutucão de um dos seguranças com a advertência de que para estar ali, devia sentar-se com compostura! Um único deputado cuja profissão de origem é o jornalismo estava presente à sessão. Saiu chocado! Tanto pela forma da votação, quanto pelos argumentos do relator. São 91 páginas de texto para uma decisão que ignora a história e o investimento na formação superior dos jornalistas. Pior, numa interpretação própria, nega movimento construído pela sociedade,como se cada escola de jornalismo tenha surgido isoladamente por iniciativa de grupos interesseiros, seja de jornalistas, seja de empresários. Os magistrados não dimensionaram o efeito da decisão tomada na superfície da questão. Também os jornalistas e o resto da sociedade civil não acreditaram que seria possível. Deu no que deu. Lamentável, inaceitável!

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

HOME sweet home

É de graça e está aqui .

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

DIA DOS NAMORADOS

Tente. Já deu certo pelo menos uma vez.

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DIA DOS NAMORADOS

Não tenho problema com namorados.
Eles também não tem problemas comigo.
A gente não se existe e ponto.

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pelas bandas do Uruguai (VI)

A volta foi de muito frio e chuva. Intermitentes, por vezes fininha quase neve, outras forte com rajadas de vento gélido. Começou as 7 da manhã, quando saímos de Montevidéo e não deu trégua.
Tássia e Igor dormiram boa parte do tempo (são 500km), e nem perceberam quando resolvemos pegar uma estrada vicinal rumo a San Gregorio do Polanco.
A cidadezinha de 3 mil habitantes ( sim, tudo isso!) às margens do Rio Negro, é ponto de convergência de pescadores internacionais. Mas ela se destaca mesmo - ao menos no nosso ponto de vista - é por ser um museu à céu aberto.
Os murais são as paredes das casas e prédios públicos da cidade.
Anos atrás, mas precisamente em julho de 1993, a cidade foi inaugurada como o Primeiro Museu Aberto de Artes Visuais do país e único na América Latina.
O trabalho de arte mural foi um projeto conjunto entre grupos de apoio à região, movimentos pelos direitos humanos, prefeitura e artistas plásticos da região e vindos de outros lugares do país e do mundo. Pelo que se narra, o projeto mobilizou a comunidade local e internacional na execução.
A impressão para quem chega no lugar é fantástica. A cidadezinha é um convite a percorrer cada rua à pé, ainda que o passar dos anos revelem a necessidade de restauração.
Claro que a chuva não nos deixou caminhar, além de envolver o lugar numa bruma cinza e fria, mas apenas ir na esquina e se deparar com Carlos Gardel sorrindo, na parede em frente, é algo que não tem preço.
Seguir e encontrar uma série de cabaninhas convidando para um veraneio (no caso, uma invernada?!) à beira do rio e com um trabalho desses exposto também não tem!
Não sei muito da história do lugar. Vou perguntar para minha vizinha uruguaia que se exilou no Brasil nos anos 70. A gente foge prá lá... depois eles fogem prá cá...depois prá lá de novo... e assim vamos indo!
Até entendi porque o Brizola fugiu para lá nos tempos duros - é como sair pelos fundos com todos os direitos assegurados pela soberania de cada país.
As fotos aqui foram catadas da internet e são do Mario Oscar Nahum
e no link tem os autores das pinturas. Nossa fotógrafa estava apagada...
mas a gente volta!
Em tempo, Rivera estava lotada de brasileiros, comprando enlouquecidamente nos freeshops, apesar da chuva e do frio. Infernal!
E nem os 12 casos de gripe suína na cidade parecem ter refreado a gana de consumir! Eu hem!

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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Pelas bandas do Uruguai (V)

O que Tássia não está contando no post são os bastidores dessas fotos que são apenas um detalhe na Colônia do Sacramento. E que ela fez essas fotos quando estava sozinha. Sim, a moçoila vagou muito tempo solita. E não porque tivesse optado, mas porque se perdera de nós, encantada com a luz do lugar. Saímos cada um para um lado a explorar a história. E passou-se meia hora, uma hora, nós nos reencontramos no ponto de partida. E cadê a moça? Refizemos o caminho, percorremos outros caminhos para encontrá-la e nada! O restaurante convidativo e acolhedor foi trocado por um outro no centro da praça, com mesas na rua, para sermos vistos e podermos vê-la também. Hora e meia, e nada ainda. A fome aliou-se ao frio, pois o sol começara a sumir em meio à massa polar que entrava. E ela de blusa fina e camisetinha por cima, sem casaco, sem cachecol, sem bolsa, sem dinheiro e com uma máquina potente a tiracolo. Foi dando agonia. Como achar alguém em algum lugar que não se conhece? E se sofrera algum tipo de violência (paranóia de brasileiro)? E se fora seqüestrada? Como explicar para a Norma e o Edmario que perdemos a filha deles no Uruguai? Duas horas depois fomos engolindo a comida, preparando-nos para procurá-la. Isolda pegou a camionete e foi dar voltas, o namorado terminou de engolir os canelones e ia alugar uma vespa, eu marcaria ponto por ali mesmo para o caso dela aparecer. Mas eis que a mocinha aparece num fiat, escoltada por um casal de policiais. Gelada , é claro! Esfomeada também! Estressada, também, como todos! Mas esse “resgate” deixo para ela contar. Fora o episódio desconfortante, angustiante e “micante” é preciso admitir que Colônia é um lugar à parte. A cidade que é cercada por uma fortaleza, nasceu da gana da Coroa Portuguesa em estender seus domínios na região Platina nos anos de 1640. Mandou para lá os padres jesuítas que já andavam por aquelas bandas, colonos açorianos, mercadores, presidiários, índios e escravos, ignorando o Tratado de Tordesilhas. Como é um porto com facilidade de acesso a embarcações grandes, Colônia se tornou o centro comercial responsável pelos contatos diretos com o mercado atlântico e pela introdução de mercadorias européias e brasileiras a baixos preços, ou seja, nascia assim o contrabando. Inglaterra amou a idéia e no século seguinte fez dobradinha com Portugal para manter o comércio a mil.
Guerras à parte - Colonia trocou de dono entre Portugal e Espanha um eito de vezes - a cidade histórica e sua arquitetura portuguesa estão muito bem preservadas. É como voltar no tempo e andar em cada ruela sabendo exatamente o que encontrar. Essa sensação é inexplicável ( a gente deve ter uma memória genética e tanto!). E lá estão os lampiões nas ruelas, os buganville, a calle del Piedro, a calle D los Suspiros ( antiga rua das prostitutas por onde também eram levados os condenados à execução - davam ali o último suspiro nos explicou um menininho que ganhava moedas sendo guia), a plaza mayor 25 del mayo, o farol, os pórticos, as porta e janelas, a beira-mar com calçadas e muradas igual a todo a colonização luso.
Quer saber mais? Vai lá! Vale a pena! Tem uma mesa esperando por você. Vou parando porque congelei os dedos!
fotos © 2009 Tássia Novaes

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Mudança. Cambio. Change

Senhora Patroa e demais Divinas, Gostaria de informar que, por motivos de força maior, estou deixando pra trás o meu bloquinho de anotações. Agora carrego uma bandeja e sirvo chopp gelado, geladíssimo, segundo a Veja Salvador o melhor da cidade, a clientela rica ou levemente rica da cidade.
Prometo escrever um post com todos os detalhes da minha estréia no novo ofício. Beijos em todas. Divina Garçonete
(antes, A Repórti)

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Pelas bandas do Uruguai (IV)

Ruas de Colonia del Sacramento, a 150km de Montevideo
Impressiona no Uruguay a quantidade de peças antigas bem conservadas. Os carros e principalmente as pessoas - em outro post falarei sobre as construções. Com população predominantemente idosa, é comum ver nas ruas de Montevideo diversas senhoras e senhores caminhando com passo firme, seguindo de volta para casa com sacolas de compra ou a caminho de uma praça ou café ou simplesmente em um passeio relaxante no fim da tarde na Rambla, a beira do rio da Plata. De toda a América Latina e Caribe, o Uruguay possui a população mais envelhecida em termos proporcionais - 17,3%. Seguido por Cuba (15,4%), Argentina (13,6%), Chile (11,5%). O Brasil (9,3%) se situa em um grupo intermediário ao lado de Panamá, Costa Rica, Equador, México, Peru, Venezuela, El Salvador, Colômbia e República Dominicana, segundo informa a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). É nítida a impressão de que os uruguaios vivem mais que nós, brasileiros. E os números confirmam. A expectativa de vida das mulheres é de 80 anos (três anos a mais que as brasileiras) e a dos homens 73 anos (seis anos a mais). Tal fator deve estar diretamente relacionado a qualidade de vida, já que o Uruguay possui o terceiro melhor índice de desenvolvimento humano da AL - 0,852 contra 0,800 do Brasil. Curioso é que os mais velhos não só vão a pé: também seguem de carro. No trânsito, é possível ver modernos Citröen e recém lançados modelos da Ford ou GM, além de uma série de preciosidades anos 40, 50, 60, 70 difícil de entender como resistem ao tempo funcionando tão bem. Na Ruta 5, estrada que liga Montevideo a Colonia del Sacramento, nossa Toyota modelo 2006 foi ultrapassada por uma caminhonete Ford anos 60, vermelha. Vibração geral no carro, uma pena não ter feito a foto. Fora isso, durante toda a viagem vimos diversos de modelos que nos chamaram a atenção. A impressão que dá é que o Fusca 72 azul e branco, fuzelagem cromada, foi o único veículo comprado por aquele senhor que ao conduziu até a porta de casa. Uma sociedade que preserva o que tem, que sabe dialogar com o novo sem descartar o antigo, mantendo em uso até o dia que dure. Meu pai tá aqui lembrando que eles não têm salitre, a maresia não corrói os carros. Tendo uma boa conservação por parte dos donos, de fato, duram mais tempo.
Supermercado na av. Itália, próximo ao Museu de Ciência e Tecnologia
Carrasco: bairro residencial
Colonia del Sacramento
fotos © 2009 Tássia Novaes no próximo post portas e janelas do Uruguay

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domingo, 7 de junho de 2009

NINA ROSA

O MUNDO É GAY. OU NÃO.

De tanto acreditar que todas as formas de amor valem a pena acabamos ficando um tanto confusos.

Eu sempre achei que meu "gaydar" ou radar gay funcionasse muito bem até o evento abaixo narrado.

Tudo começou num samba, festa de amiga. Muita gente bonita e interessante. Me sentei ao lado de um amigo da amiga. Gay, claro. De cara percebi. Adorei o sujeito! Simpático, falante, interessado, gentil. Gay, né? Então, fiquei toda amiga. Batemos altos papos a noite toda.

No dia seguinte a mesma turminha no cinema. Me sentei ao lado do amigo recente. Fomos ver Divã. Filme de mulher. Ele adorou, claro. E ficamos comentando o filme. Durante, no escuro e depois, a caminho do estacionamento. Nos despedimos e cada um foi pro seu lado.

Uma semana depois me encontro com a amiga. "Fulana, adorei aquele seu amigo." "Qual?" "Aquele assim assado...aquele que é gay...como se chama..há lembrei Beltrano!" "O Beltrano? Gay? Tá doida?"

Já imaginam o pânico da garota aqui né? Não que eu não continue achando que ele tem tudo pra ser gay, mas se ele diz que não ou acha que não e se as pessoas acham que não, bom, resumindo, EU DEI O MAIOR MOLE PRO SUJEITO!!!!! Grudei nele como a gente gruda em todos os amigos gays. Me consolo de pelo menos não ter chegado a comentar sobre o cara da mesa ao lado na tal festa.

Passada a vergonha veio a tranquilidade. BH é grande e a chance de nos vermos novamente é pequena. Basta esquecer o mico e pronto, certo?

Errado. Fim de semana seguinte nessa capital gigantesca e a gente no mesmo show. Ele, todo amigo, todo "me ensina a dançar?" Eu toda "Meu Deus o que é que eu faço?" Acabei dando uma gelada no sujeito, pobrezinho, tão simpático. Não foi de propósito, mas acabei dando.

Bom, fiquei me sentindo um tanto ridícula com meu comportamento, mas ok, tudo passa, BH é grande e tal...a gente deixa a coisa assim mesmo, certo?

Não, no dia seguinte almoço na casa de uma amiga, da mesma turma, que tem um irmão que calhou de ser o melhor amigo de quem? Dele mesmo. Do Beltrano. Quer mais? Na casa eram uns 5 casais de amigos e nós dois. Resultado, conversamos e coisa e tal...e toca violão e conta caso...e ficou desfeito o climão. Amigos, amigos.

Bom, eu ainda acho que ele pode ser gay. Ou não. O mundo anda tão louco. Tenho um amigo que me disse que a gente precisa saber entender o homem de hoje, que deixou de ser brucutu e pode sim ser mais sensível e comunicativo e não ser gay.

Além do mico, fica o aprendizado: o meio termo é quase sempre o ideal. Não precisa grudar no cara porque é gay e nem dar gelada porque é hétero. É tudo gente, com sensibilidade, simpatia, possibilidades.

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sábado, 6 de junho de 2009

Pelas bandas do Uruguai (III)

Puro Verso! Povo letrado é outra coisa. E os uruguaios o são!Os jornais são diferentes, porque priorizam a interpretação do fato e não economizam texto; a televisão é menos suscetível às novidades decorrentes da inovação da tecnologia - perto dos nossos, os telejornais e as publicidades deles são qualquer coisa do século passado -, e o mercado da produção editorial é o máximo! Livrarias não faltam e ficam abertas à noite, num irresistível convite a entrar. E foi numa dessas esquinas da 18 de julho, uma das avenidas centrais de Montevidéo, que me perdi na universo de livros da Puro Verso.
Um sobrado colonial que perdera as paredes internas e parte do teto para um mesanino sustentado por cabos de aço, cujo acesso se dá por uma escada de navio. Patreleiras com livros sobem até o teto nos dois andares, ladeadas por confortáveis poltronas. Sim, você pode sentar e ler até cansar, embalada por um jazz de primeira linha ao fundo. Depois decide se leva ou não o livro. As janelas foram mantidas, mas se transformaram em grandes vitrines: de livros, é claro. E ali se passeia por todo o mundo, das artes ao conhecimento mais complexo.
De Marx a Obama sem esquecer o Chê; de Ulisses a Benedetti - recém falecido e ícone uruguaio -; das wicas a Buda, passando por Cristo, Celtas, Maias. Religiões todas e também manifestações culturais como o Candomblé - se lê candômblè, e um elemento fortíssimo na cultural uruguaia, traduzida num carnaval típico e marcante no Mercado do Porto. Pode-se encontrar as últimas (e as primeiras) edições sobre cinema, artes plásticas, fotografia, literatura, política...e tudo o mais que couber no seu bolso. Eu sabia que não poderia ficar muito tempo ali. Não queria subir as escadas, mas o olho bateu numa prateleira enorme com letras garrafais e hipnóticas feito neón : comunicação.
Quando me dei por conta estava diante dela.
O cartão de crédito agradeceu; o dono do estabelecimento, um gentleman e satisfeito livreiro, também! PS: Claaaro que as fotos são da Tássia.

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NINA ROSA

Hoje entrei com o cão no elevador. Uma mulher levava duas gaiolas com canários no chão. Prendi o cão com força mas ele não tirava os olhos famintos de cima dos bichos. Ele não latiu. Mas eu podia sentir no rosnar da gargana dele e na tensão da coleira que ele tinha fome de canário. Tinha, aliás, certeza de que a qualquer momento conseguiria pega-los. Queria ter fome de vida assim. Mesmo presa saber que a felicidade está ao alcance de um salto.

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Espalho!

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Toda vez que assisto telejornal me sinto uma idiota. Ou pior, completamente solitária. Única no desespero. Senão, como explicar o tratamento que a China recebe do mundo inteiro depois do que ficou conhecido como "O Massacre na Praça Paz Celestial"... "Explica, mas não justifica". Revi a cena do jovem estudante parado - parando - a fila de 5 canhões ou carros-canhões. Lindo ver que o motorista do canhão desvia. Hoje contei mais de dez segundos de cena estáticos. Parados. Os canhões e o jovem de camisa branca, com uma mochila em uma mão e o que parece ser uma jaqueta na outra. Conte devagar até dez ... com o mundo inteiro vendo ... e ... nada aconteceu. Nem me lembrava o que acontecia depois: o rapaz sobe no carro-canhão. E a China massacrou. Nós dissemos chocados: em pleno Século XX... É. Foi. E depois de um tempo, o mundo se curvou a tudo da China na abertura das Olimpíadas. Tudo principalmente poder, e uma brilhante demostração de inteligência. A Sabedoria Oriental usada pelos chineses para o bom do comunismo e o bom do capitalismo. Bom para quem tem o poder. Aos milhões de outros, nem hotmail. Depois vejo Lula em Abrolhos. Não sei o que ele foi fazer lá nesta época sem baleias. Mas sei que o programa Baleia Jubarte é bancado pela Petrobrás; sei que autorizaram a construção de um poço para prospecção de petróleo perto demais do arquipélago; sei que o Pres da Petrobrás é amigo irmão do gov baiano - o mesmo Pres que tem uma CPI nas costas; e sei que a MP da Amazônia está pousada na mesa do Lula no dia mundial do meio ambiente, faltando só a assinatura dele, porque a MP foi aprovada sim. Dando direito a quem tem terra na floresta, vender a terra. Quem tem mais terra, tem mais tempo pra vender do que quem tem menos - valorizando o produto, ou mesmo não vendendo. A Ex Ministra Marina Silva dá banho nos discursos - e não só nos discursos - Que dignidade tem aquela mulher! E me pego relembrando o tempo que o Petty tinha no SP2 um adesivo onde se lia "Pela Demarcação das Terras Indígenas". Mas isso foi no Século passado. Agora, um avião, cheio de tecnologia, indo para a sempre sonhada Paris, desmaterializa no ar. E o socorro decola do Senegal. Da África. Daquele continente para o qual o mundo - também - dá as costas. A mesma África dos Diamantes de Sangue. A mesma de Darfur. A mesma da Copa do Mundo de Futebol. A mesma da Luanda que Tassita viu ouviu sentiu e por ela chorou. E aí me lembro que é a Africa de Mandela. Me lembro que é a China do Dalai Lama, e que é a Amazônia de Chicos e Marinas. E eu preciso fazer alguma coisa além de ver telejornal.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Amanhã, na Concha Acústica [Salvador, BA]

Catei colo e o mar parou
Fui deitando pra perguntar Nome, bairro, amigo, amor De onde vem o parar o mar? Seu sorriso bateu aqui Inda posso me apaixonar Pedro Sá e Caetano Sem cais - Zii e Zie | ouça O fato de os americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar Caetano A base de Guantánamo - Zii e Zie | ouça
Ecstasy (bala), balada E me chama depois Pra dar uma e dar dois Ela é que causa, é que explana E acende os faróis Mas o meu samba transcende E apaga as pegadas Que ela quer deixar Falso Leblon Big Brother Tou fora do ar (...) Odeio a vã cocaína Mas amo a menina E olho pro céu Ela se esgancha por cima De mim: quem sou eu?
Caetano Falso Leblon - Zii e Zie | ouça

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

A GLOBO, O RAJ e Cia.

Depois de moooito, moooito tempo mesmo, vi o Jô, por causa do ator Rodrigo sei lá o quê, mais conhecido como “que homem...!!!” [Lombardi? Ô Lombardi ... qui qui é isso????] mas também pela Índia.
A Índia. Se você chegou no ponto em que depois da quarta dose de uísque escocês, fica com aquela sensação de vazio... sente que ainda falta alguma coisa na vida... bom, pode ser hora de conhecer a Índia. Se bem que da minha turma poucos chegaram ao status do blend e naquele tempo “droga sintética” era alguma coisa feita de plástico que não prestava pra nada. Mesmo assim, no meio do caminho entre Arembepe e Tibete, depois das Diretas Já, fui pra Índia. Aguardem lançamento do livro. Na Índia não é tudo barato. É tudo sem preço. Sem definição de valor. Coisas com um custo irreconhecível até pra nós - pobres desse terceiro mundo. No primeiro almoço, éramos 14 na mesa. Comida de monte. Pães e molhos pra vinte dias. Arroz, macarrão, legumes e aquele monte de coisa que a gente não sabe o que é, e bebidas e sobremesas. A conta: “trocentas” rúpias. Parecia que estávamos comprando um carro zero. O guia traduz: 9 dólares. Como assim? E passamos a viagem toda com um papel tentando anotar o que um devia pro outro. Fatos soltos: - Pergunto o preço de um leque [abano, ventarola] feito a mão, de palhinha, todo trabalhado. Uma obra de arte. How much? Five. E eu fico assim... Com aquela cara de Mané... pensando... Five... Five o quê?... dólares? Não pode... Five rúpias?... E quanto é Five rúpias?... O guia me salva: Five cents. Comprei um, que o guia pagou porque eu ia demorar muito pra encontrar esse dinheiro na bolsa. Eu tinha, mas não sabia o que era. E quase apanhei do grupo porque não comprei 50. - Uma saia indiana maravilhosa custa cents também. - O sari, com seis metros de tecido da mais deliciosa e pura seda, 10 dólares - isso em loja chiquerésima. - Os xales - que eu adoro - na rua custam de 5 a 7 dólares – de lã leve e pura. As pashminas são mais caras. Uns 20, 30 dólares. - Comprei camisas de seda [também vendidas em araras na rua] por um dólar. - A miséria indiana está em quem faz. Mão de obra mais do que barata, mão de obra escrava. Na garagem das “casas de veraneio” dos indianos vêem-se helicópteros [no plural tá?]. Não estamos muito distantes disso não, mas essa é uma história que fica para outra vez... Pergunto pro guia onde encontro os milionários da vida, em que lugar eles jantam... [euzinha cheia de boas intenções] e o guia responde: em Paris.
- Antes de viajar, vi aqui em uma loja um belíssimo colar indiano. O preço: 60 dólares. Contei as voltas do colar: 60 – e brinquei com a vendedora: 1 dólar por volta. Na Índia, procurei pelo colar. Nada. Último dia de viagem. Nova Deli. Faltavam algumas horas para o embarque. Vamos ali, numa feira. Ca-la-ro... Lá estava o colar... Quero dizer, os colares. Dezenas dele numa parede. Não... Eram centenas dele... Nas três paredes de uma coisa que media 2 por dois e que tinha as 3 paredes cobertas e recobertas de miçangas de todas as cores – do mesmo tamanho – que juntas, formavam trocentos dos colares dos meus sonhos aqui transformados em pesadelo. O lugar era um cafofo. Um muquifo escuro e apertado. Tive vontade de cuspir em cada um dos infinitos colares. Sentada num tamburete, uma velha de cabelos brancos com cara de índio subnutrido nem aí pra mim. Pergunto: How much? E ela sem se mexer: One dólar. Pego do bolso da calça jeans uma nota de dólar mais por obrigação do que por qualquer outro motivo e aponto com o dedo um dos colares. Está aqui. Se quiser, um dia te mostro. Mas se você quiser comprar alguma coisa da Índia, sem pagar o preço carissimo da passagem, experimente o Mercado Livre.com. Jogue na busca “indiano” e você vai encontrar escova progressiva, gaiola de passarinho, vaso, lego, facas, elefantes, almofadas, sinos, vestidos, batas, selos, revistas, DVDs, além de saris por 400 reais, saias por 60 reais, colares por 300 reais... tudo resultado do Padrão Globo de Mundo.
Se você correr, dá tempo de comprar o chicote do Indiana Jones [autêntico, claro] porque o chapéu eu já comprei.
Ah! O Rodrigo... o ator “que homem...!!!” só indiano mesmo. Ao natural ahcei fraquinho... fraquinho...
E o Jô a mesma merda.
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A chic é Rosana
Não usa pretinho
pra não dar pinta





Denis
coluna tranqüila
e coração ereto






Tássia
pin up e lambe-lambe
Lambe cria






Dorotéia
só escreve em italic







Paula Bolzan






Nívea Bona
Marca compasso
Vem pro abraço






Marina Victal
Mineira apresenta armas
Espada em punho








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Enviado Divino
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