segunda-feira, 29 de junho de 2009

São João (sem graça) na capital

São João no asfalto não tem graça não. Festa junina nordestina precisa ter chão de terra batida, fogueira e balão. Balão de mentirinha, daqueles que enfeitam os postes e o salão. São João no asfalto tem cheiro de nada. Fiquei aqui na cidade e não me restou muita opção. Fui na Perini comprar uns quititutes, depois acabei indo pro cinema. Tem graça? Tem graça não. Lá na casa de minha vó, em Jequié (fala-se Jiquié), no interior da Bahia, a gente acorda com cheiro de milho cozido. Da mesma espiga, faz o bolo, a canjica e o mingau. Com o fubá, faz mais bolo e cuzcuz. E tem a tapioca, hummmm. Bolo de tapioca, cuzcuz de tapioca, mingau de tapioca. Beijuzinho com manteiga, hummmm. Tudo muito gosto. Ainda tem o amendoim. Eiiitaaaa. Com o amendoim ninguém se segura, só pára de comer quando termina na panela. Pode ser torrado ou cozido. E pode ser também com uma cobertura açucarada. Dele, surge o pé de moleque e a paçoca. Muito gosto. Mas a minha queda mesmo é pelo aimpim: não há nada mais gostoso que bolo de aimpim com café preto, passado na hora. E o Licor? De maracujá, cacau, o clássico de jenipapo, de jabuticaba, laranja. A vizinha de minha vó faz até de pétala de rosa. Eiiiiita coisa boa. De noite, todo mundo põe uma roupa bonita e vai com seu par pro arrastapé. Se não tiver par, não tem problema: nunca falta convite para dançar na noite de São João. Os rapazes tiram as moças, enquanto o couro come no centro do salão. Sanfona abre e fecha, bate o triangulo e a zabumba, ê, é noite de São João. De repente, improvisam uma quadrilha. Vem a cobra, vem a chuva. Pulam a fogueira e vem o beijo. Às vezes, até casamento. Verdade que essa festa tipicamente nordestina está praticamente em extinção. É preciso garimpar um bom destino para sentir o autentico São João. Se a cidade não tiver coreto, nem vá. Não vá não. Capaz de encontrar um trio elétrico acompanhado por uma multidão. Aqui na Bahia, já há alguns anos, a indústria do axé também toma conta do São João. É um tal de forró do Sfrega, da Margarida, da Xereca, do Bosque, do Piupiu, da putaquepariu. E tome Chicletão, Cláudia Leite, Calcinha Preta, Asa de Águia, Calypso, Alexandre Peixe etc etc etc. Horas e horas de qualquer coisa que nem de longe parece com o autêntico forró. E todo mundo se embriaga, se agarra, perde o juízo. Eiiiita carnaval. É mole não. Lá nas bandas no meu interior, no forró pé de serra, a gente lembra de Jackson do Pandeiro, o cabra da peste, e de Luiz, o rei do baião. Eiiiitaaa. É muito xote e satisfação.

Marcadores:

2 Comentários:

Blogger Dorotéia disse...

Eita minina, e aqui que a gente só lembra das fogueiras e festas de São João? Não vejo fogueira desde que os filhos dEla eram pequenos e faziam a festa no terreno baldio ao lado. ELA vizinhava legal nessas coisas, mas o tempo passou e os vizinhos não tomaram mais iniciativa...

29.6.09  
Blogger tássia disse...

Próximo São João, põe umas bandeirolas no poste!

29.6.09  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

Links para esta postagem:

Criar um link

<< Página inicial












A chic é Rosana
Não usa pretinho
pra não dar pinta





Denis
coluna tranqüila
e coração ereto






Tássia
pin up e lambe-lambe
Lambe cria






Dorotéia
só escreve em italic







Paula Bolzan






Nívea Bona
Marca compasso
Vem pro abraço






Marina Victal
Mineira apresenta armas
Espada em punho








Melhores de 2008
Em 2009 eu vou...
Melhores de 2009
Em 2010 eu vou...
Melhores de 2010
Em 2011 eu vou...
Melhores de 2011
Em 2012 eu vou...
Melhores de 2012
Em 2013 eu vou...
Enviado Divino
Meu Primeiro Professor









    I Clichê


    II Clichê


    III Clichê


    IV Clichê


    V Clichê


    VI Clichê




      Assinar
      Postagens [Atom]