domingo, 6 de janeiro de 2013

Minha vó é heroína*

Hoje, 6 de janeiro.
Dia de desmontar o presépio.
Dia de Reis.
Aniversário de vó Nina.

Vó Nina, costureira de mão cheia, avó de primeira, mãe de meu pai, cinco filhos,
coloca qualquer neto na linha.
Carinhosa, organizada. Ativa.
Não perde uma feira e a pescaria.
Apaixonada por filme de luta: Jet Li, Jack Chan, Van Damme...
já assistiu todos.

Cara de índia, baixinha.
Sabe fazer canoa, cortar lenha, fazer fogo e pescar piranha.
Sabe fazer calcinha, sutiã, blusinha.
Simpatia e ambrosia.

Gosta de mato, trilha, morro.
Me ensinou a prepar a linha, tirar o muzuá da água,
separar o camarão e espeta-lo no anzol.
Adora água.
Atravessa o rio de canoa sem se intimidar com a buiuna.
Faz café na canoa...

Sussuarana, lá nos mato perto da barragem, já cruzou com várias.
Caipora?
É amiga.
"É só deixar um pedaço de fumo de corda", ensina.
Neguinho d'água?
Às vezes o vê na beira do rio. Meu pai já viu também. Mais de uma vez...
Tem medo de nada. Só de vaca leiteira.

No alto da pedra (lá na Barragem de Pedra) tem um cruzeiro,
uma gruta.
Sobe romaria, turista, curioso, aventureiro, adolescente.
É trilha picada, mato arisco.
Eu nunca fui, só vejo de baixo e sei das histórias que minha vó conta.
Ela já foi várias vezes. Ano passado foi de novo.
Safira, minha irmã, foi uma vez e botou os bofes pra fora. Disse que é muito alto,
duas horas de caminhada. Que é lindo, mas não vai mais.

Não sei quantos anos vó Nina tem.
São poucos fios brancos, cabelo fininho, lisinho, preto. De índia.
Às vezes ataca a coluna, às vezes a pressão sobe.
Bicuda.
Na década de 1950 saiu de Jequié e enfrentou São Paulo com os filhos, sem marido.
É história de verdade, minha avó, de Safira e (numa conta apressada que fiz agora) de outros 11 netos.
Dois moram com ela.
Safira adora ficar na casa dela.
Nordestina forte.

É ou não é uma heroína?

(*) E ainda tenho outra vó. Zilda. Essa merece mais que um post: um livro.

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sábado, 5 de janeiro de 2013

Dúvida cruel


Acabei de ver participantes do BBB 13, mais uma vez, presos em um biombo de vidro, em um shopping center em São Paulo. Felizes. Muito felizes. Acenando e mandando beijos para a plateia. Implorando por uma vaga no reality.

Pergunto: e u  s o u  n o r m a l ?


Só entrava nessa m* se fosse para receber o salário do Bial.

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Origens

Tá na cara que eu sou da Bahia.
Para qualquer lugar do mundo que eu vá, tenho certeza que minha identidade acaba sendo revelada sem muito esforço. Basta andar, falar, gesticular... respirar... caricaturas que revelam nossas origens, embora também habite em mim uma personalidade cosmopolita. Não gosto de bairrismo e tenho grande interesse e simpatia por culturas alheias. O planeta Terra é tão grande, diversificado, belo e generoso, penso que seria meio burro (e também um desperdício) me limitar a admirar apenas o lugar onde nasci.

A disse que respondi feito gaúcha o comentário de divina Denis e usou uma expressão que eu adoro ouvir o pessoal do Rio Grande do Sul falar: te mete! Talvez seja pelo fato de esses dias estar convivendo intensamente com gaúchos, além grande afeto gratuito (ou seria ancestral?) e laço familiar que mantenho com essa porção do Brasil.

Gosto muito da culinária, mate, Polar. O carreteiro do Clóvis. Gosto de Santa Maria, das cidadezinhas ao redor (Vale venito, Silveira Martins, Itaara), de Rosário, e da rota turística na Serra Gaúcha. Eu amo a Pró e sei que apesar da fama de durões (e realmente são) os gaúchos que conheço são muito sentimentais, sensíveis e chorões. Quando os tios de Igor ligam, confesso que é impossível distinguir quem é quem pelo telefone. Sotaque carregado, timbre forte e palavriado que foge ao meu repertório. São de São Borja. Às vezes não consigo nem entender direito o que eles estão dizendo ao telefone.

Mês passado Igor cortou o dedo - o espelho do banheiro despencou, resultando em um corte que precisou de sete pontos pra fechar. Um susto, sangue e estilhaço para todos os lados, numa reação sem pensar muito pressionamos o local com um grande chumaço de algodão. Ao chegar no hospital São Rafael, a médica plantonista olhou o estrago (fiapos de algodão grudados na pele piorando ainda mais a situação) e se recusou a limpar o corte. Pode? Foi tão surreal que ficamos sem reação. Trinta minutos depois chegou outro médico. Baixo, galego, pelo andar desconfiei logo que fosse gaúcho. Suspeita confirmada ao nos cumprimentar com um cordial boa noite. Sotaque inconfundível. Quis saber detalhes do que tinha acontecido, fez uma limpeza demorada, minuciosa, enquanto o paciente seguia teso, travado de dor, olhos aguados, respiração curta, aguardando a anestesia local. Você é gaúcho?, perguntou o médico, como quem diz "durão desse jeito, sem querer chorar, só pode ser gaúcho". 

Foi a senha para iniciarmos uma agradável conversa. Dr. Spanholi, de Passo Fundo, estudou em Santa Maria, os tios criam caprinos e ele veio para Salvador há dois anos, ora, porque se apaixonou por uma baiana. O atendimento foi tão bom e familiar que voltamos leves para casa.  

De alguma forma, esses encontros devem me fazer um pouco gaúcha também.

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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Primeiras impressões de 2013

Vida é aquilo que a gente constrói com o auxílio do destino. 

Em 2013 escolhi ser menos teimosa, mais persistente. 









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sábado, 25 de agosto de 2012

O maior desejo

Desde o dia em que resolvi ter minha própria casa, foram muitos os desejos. O primeiro de todos adquirir a bendita residência. Um apartamento, na verdade. Que fosse amplo, ventilado, nascente e com duas garagens. Foram esses os pré-requisitos solicitados a duas imobiliárias. Após visitar trocentos imóveis novos e usados, eu e ele chegamos a conclusão que a melhor opção do momento era o aluguel. Os novos eram muito caros, muito pequenos e repletos de itens que os encareciam e não nos interessava, como varanda gourmet (entenda: uma pia na varanda) e deck molhado (entenda novamente: uma espreguiçadeira dentro da piscina). Os antigos agradavam em espaço ao passo que intimidavam no quesito reforma. Ele, engenheiro, em uma rápida vistoria percebia que seria necessário trocar toda rede hidráulica (inclusive a do vizinho) ou então detectava falta de isolamento acústico, ou não tinha garagem, ou era de escada, sem falar que, na maioria dos casos, o valor do condomínio era bem próximo a um aluguel. Passada a frustação e com a casinha alugada, voltamos a sonhar. Com a geladeira vintage, o sofá top of conforto, os livros na estante, os quadros na parede, a cama king, o iMac, a porcelana Smith, meus cristais... Passaram-se sete meses, parte dos desejos foi realizado,  parte foi improvisada e a outra parte está vindo a prestação. Aos poucos a casinha pode ser chamada de lar. Só não contávamos que para se tornar um doce lar seria necessária a presença de um terceiro elemento: a cozinheira, acessório de utilidade doméstica ameaçado de extinção. No quesito faxina, mesmo com a canseira cotidiana, somos imbatíveis. Ele passa pano como ninguém e arruma gavetas e armários com simetria prussiana. Eu sou ótima para tirar pó, decorar e lavar banheiro. Cozinho relativamente bem. Ele também. Problema é que trabalhando mais de dez horas por dia (contando com hora extra e engarrafamento) não sobra tempo para viver direito quem dirá para cozinhar. Pior coisa é chegar em casa e não ter o que comer - além do marido, digo. Sem falar que cozinha é bom apenas quando dá vontade. Cozinhar para os amigos, pro amor ou para agradar a si mesmo. Fora isso, preparar o café, almoço e jantar, lavar louça e panelas todo dia é martírio. Por aqui, já passaram sete candidatas. Jamile quebrou a vassoura (nova, cabo de madeira) logo no primeiro dia. Rosa - que é excelente na casa da minha amiga - na minha ela marca e não aparece. Tati achei meio porca. Mari, a mais caprichosa, se mudou pro interior. Sandrinha comia produto de limpeza. As duas últimas eram tão boas que nem lembro o nome direito. E o pior: nenhuma queria cozinhar; apenas faxina. Já pedi indicação aos amigos, vizinhos, colegas de trabalho, Sutrab etc etc. Estamos praticamente desiludidos. Mas, como a esperança é a última que morre, continuamos pedindo  a Deus, todos os dias antes de dormir, que coloque uma cozinheira de mão cheia em nossas vidas. Porque parece que a casa própria, a lua de mel na Europa, o carro novo, tudo isso um dia será possível de conquistar. Não precisa cardápio sofisticado. Basta que faça um arroz, feijão e frango assado. Pouco sal, porém bem temperado.

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sobre empreguetes e patroetes

Em tempo de empreguete fazendo sucesso em horário nobre, me impressionam as empreguetes ralando o bucho na vida real. Todos os dias de manhã, quando passo ali no Horto, na rua Santa Luzia, antes de pegar a avenida Waldemar Falcão, metro quadrado (que se tornou) caríssimo na capital baiana, fico observando o punhado de empreguete andando em direção aos condomínios de luxo. Não passa ônibus na Santa Luzia. Quer dizer, se passa eu nunca vi. Só vejo carros. E na calçada estreita, margeada de muros altos, super altos com cerca elétrica, dezenas de empreguetes a caminho do sustento. A maioria desce na avenida ACM e segue caminhando uns dois ou três quilômetros, a depender da localização da casa da patroa. Suspeito que várias devem ir andando de casa mesmo, da Santa Cruz, do Nordeste e da Vasco da Gama, moradoras do entorno economicamente desfavorecido. Elas são de todos os tipos e formas, mas percebo que a maioria é baixinha, no máximo de um metro e sessenta e pouco. Pele morena, mulata ou negra. Cabelos crespos. Presos sempre, seja comprido ou seja curto. Algumas dá pra ver de longe que são bíblia – o saião denuncia. Muitas tem cara de mulher da lida, mãe-e-pai de família. Quase nenhuma tem cara de Aparecida ou Rosário – talvez por uma questão geográfica. E nenhuma tem cintura e bunda de Penha – certamente por uma questão de bom senso. Penso eu que madame nenhuma é besta de botar um mulherão que parece ser Penha em casa. Digo parece ser porque na TV tudo aumenta. Taís Araújo é pequenininha. Negona-mulherão são as do Ilê. Estereótipos a parte, o que me chama a atenção de fato é o empenho. Tem a turma das 6h30, as tranquiletes: vão na calma de Deus, até papeiam umas com as outras. Diferente da turma das 7h. Essa vai no pique, visivelmente preocupada com o café da patroinha e dos meninos, que a essa altura já saíram com o motorista para o colégio. E tem a turma das 7h30 em diante: ao invés de caminhar, corre, com a bolsa exprimidinha debaixo do braço, certamente na tentativa de continuar no emprego. Forçando (a barra para) uma visão sociológica, é possível assistir todos os dias de manhã o fluxo migratório de dezenas de mulheres que seguem a pé em busca do sustento. Há quem ressalte, inclusive, que para cada novo prédio ou condomínio de luxo erguido são criados não sei quantos novos postos de trabalho. Até mesmo porque, além das domésticas, temos o motorista, o porteiro, o auxiliar de serviços gerais, o segurança, o jardineiro, o ladrão, a quadrilha... .Os dois últimos deixarei para outro post. Enfim, emprego pra todo mundo, uma oportunidade para a cidade. Resta saber, afinal, quantos estão regularizados, quantos tem a carteira carimbada. Eu, que passo por ali todo dia, fico observando o vaivém das empreguetes, as mais recentes varandas gourmet, os refletores das quadras de tênis, as portarias blindadas etc. Até que não é um lugar ruim de morar, né não... Se fosse assim presente ou herança de família, acho que aceitava. Sem muito sacrifício... a modéstia sempre me coube. E hoje, ao ver mais uma vez a romaria de domésticas, lembrei de um amiga, rica, elegante e sincera.
Recentemente nos encontramos em Minas Gerais no casamento de outra amiga em comum. Ao conhecer aquele bairro lindo e chique que tem em BH, lá no pé Serra dos Currais, onde tem a praça do Papa, vista deslumbrante com várias casas lindas e lindas, o anfitrião querendo nos impressionar com cifras sobre o valor dos imóveis, à rica coube apenas uma pergunta lacônica: Por acaso é fácil arranjar faxineira em BH? Em Salvador pra limpar um apartamento já tá difícil, imagine uma casa desse tamanho, emendou.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

COMO AJUDAR 2

Quem preferir fazer doação em dinheiro às vitimas da chuva na região serrana no Rio de Janeiro a Defesa Civil – RJ disponibilizou a conta da Caixa Econômica Federal, Agência: 0199,  Operação: 006 e Conta: 2011-0.

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Obrigada, 2010!

Deixo aqui registrada minha imensa gratidão pelo ano que termina hoje.
Deus, obrigada pela vida e pelo amor
Pelas, flores, e pelo ar e pelo sol.
Pelas noites de sono tranquilo.
Pelas alegrias e pela dor
Obrigada por tudo o que foi possível e também o que não foi!
Que 2011 seja um ano muito feliz e que eu saiba repartir essa felicidade com as pessoas ao meu redor.

"Os problemas não surgem para nos causar sofrimentos. A vida é planejada de tal modo que o amor, a sabedoria e a força do nosso interior possam ser dinamizados por intermédio dos problemas (...)
Aquele que possui amor não se desespera. E o amor terá sua missão cumprida quado for colocado em prática.
O amor não é algo imaginário bem um simples conceito. Consiste na sincera prática do bem"
Masaharu Taniguchi

Obrigada, obrigada, obrigada!
E obrigada divinas por serem tão presentes em minha vida.

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Jung explica e o amor transforma

Marina passou uns meses fora de casa, viajando a trabalho. Foi por vontade própria. Decidiu que seria uma ótima oportunidade para amadurecer a condição de recém-divorciada. Acostumada a dividir espaços com marido, mãe, irmão, gatos-quase-filhos e um punhado de amigos, aprendeu que também é importante ficar sozinha. Obrigatoriamente, passou a cuidar mais de si. E funcionou... Voltou diferente, abastecida, mais bonita, mais mulher e cheia de ânimo. Me contou que ganhou quilos. Bobagem... o mais visível é que ela ganhou vida. Em casa, ao retornar, encontrou afagos. Foi bem acolhida. Matou a saudade... família é família. Nosso ninho. Recebeu e deu carinho, reencontrou a infância e teve certeza que já não cabia mais na versão menina. Reencontrou o ex e teve certeza que já não se pertenciam mais. Marina virou mulher. E atrevida.

Acalmado o afã das emoções - muitas delas impulsionadas pelo retorno, ela começou a colher verdades. A primeira, é que tudo passa. A segunda, é que o tempo cura e a dor fortalece. E a terceira, um pouco mais cruel que as anteriores, é que as pessoas mudam constantemente, embora nem sempre pra melhor. Marina entristeceu ao perceber sua mãe, a leoa da casa, emocionalmente fragilizada. E pior: descontando no filho de forma irracional. Pra facilitar a compreensão dos leitores: transformou o filho homem em "marido" a ponto de interferir diretamente no namoro do rapaz, como bem descreveu Marina.

Decidi escrever um pouco sobre o assunto porque tenho visto acontecer de forma repetitiva ao meu redor. Amadeu namorava Maria Lucia. Um belo dia, dada a harmonia da relação, Amadeu decidiu se casar. Com Maria Lucia, evidente. Não sabiam eles a bomba que encontrariam pela frente. Nunca um anúncio de matrimônio foi tão cortante. Soou como legítima ameaça aos instintos da mãe. Dele. Que logo se encarregou em desatar a união com unhas e dentes. Convenceu Amadeu que ele precisava, antes de tudo, de um tempo. Blefe infame.

Assim como a mãe de Marina, a mãe de Amadeu é felina. Ambas escolheram contrariar a vida, quando ela se mostrou impiedosa. Driblaram com maestria e coragem incomparável casamentos tortuosos, não deram chance a doenças ameaçadoras tampouco a padrões sociais. Foram pai e mãe. Grandes amigas dos filhos. Abandoram sonhos, mimos, erotismo, e se lançaram exclusivamente na conquista do bem-estar e conforto deles, os filhos. São provedoras, sábias e acolhedoras. São inteligentes e sensíveis. Graças a exemplar força de vontade, chegaram à maturidade vitoriosas, missão cumprida [os filhos se tornaram adultos super bem criados], porém com um grande peso na intimidade da alma: deixaram de ser mulher para serem, acima de tudo, mãe.

Aí, quando elas escolhem descansar, vem de lá uma gatinha, bonitinha, habilidosa e crau! Abocanha o filhote delas de forma arrebatadora. Ora, no reino animal, só podia dar em briga. Claro que a situação não é assim tão às claras como descrevo deste texto. O processo flui no âmbito do subjetivo. O que fica evidente, na real, é o desequilibrio. Em todas as partes. A leoa fica histérica, o filhote idem. Ele tem dificuldade em romper o cordão umbilical, permite. Ela tem dificuldade em compreender que não está sendo deixada para trás. Ela passa a ligar 15 vezes por dia pro filho. Já não cuida da própria vida. Ou melhor, a própria vida se resume ao filho. A noiva fica histérica e toma pavor da futura sogra. O filho pisa em ovos e se sente responsável/culpado pela felicidade da mãe [cruzes!]. A noiva se revolta e vira felina também. A insensatez da situação é visceral. Sobra pra quem não é da família...

Jung define bem: “O relacionamento mãe-filho é certamente o mais profundo e mais marcante que conhecemos... é a experiência absoluta de nossa espécie, uma verdade orgânica". Ok, psicólogos do século. É hora de botar um pouco de razão e elegância nesse caos puramente emocional. Tenho pra mim que o antídoto para qualquer tipo de desequilíbrio é o perdão e o amor. A mãe-leoa se afoba porque tem medo de perder "o maior bem de sua vida", como se fosse possível comparar amor de filho com amor de marido. Mãe é mãe e esposa é esposa. Todos tendem a viver melhor se se limitarem a seguir estritamente seus papéis designados pela vida na cadeia evolutiva familiar, sem querer ser mais do que podem ser. Esposa não é mãe e marido não é filho. Se o desequilibrio parte da sogra, cabe a noiva neutralizá-lo e cabe ao filho amá-las com distinção. Se todos se amarem, se o bom senso predominar, é grande a chance de todos serem felizes para sempre. Principalmente, quando os netos chegarem.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cuia, erva e outras iguarias mais...

Dentro do armário da minha cozinha, em meio às xícaras tem uma cuia de chimarrão. Foi presente do pai da Pró. O velho Zucolo é simpatia divina, animadíssimo, me levou às compras em Rivera (Uruguai) debaixo do maior toró. Quando abri os olhos de manhã, no dia da viagem, o céu completamente cinza, prestes a despencar pingos fortíssimos, com direito a raios cortantes, pude jurar que ele, o senhor da família, não colocaria o pé pra fora de casa. Oxe, que engano. Foi o primeiro a acordar e se apresentar com traje e ânimo impecáveis. Sentado ao lado da lareira, alternava goles de mate com comentários a moda italiana sobre o noticiário da manhã. Só estava aguardando a gente se aprontar. E fomos: eu, a Pró, o irmão gato da Pró e o pai da Pró. Um ótimo passeio. Minha primeira parillada em solo uruguaio. São muitos os gaúchos em minha vida. Eles aparecem assim, de repente, do "além", como quem não quer nada e... chegam pra ficar. Segundo uma amiga, a história é digna de contabilidade. Nos meus 26 anos de existência, são 4 idas ao Rio Grande do Sul, 3 romances, 1 affair, 1 mãe postiça (com família incluida), 1 sogra galega, 1 cunhado distante, uns 5 ou 6 amigos, uns 10 conhecidos e um punhado de episódios marcantes. Duvido que exista outra baiana capaz de apresentar números tão relevantes. Quem se atreve? Os romances eu catei aqui mesmo, em Salvador. Sem marcar, sem programar, sem prever. Confesso que a repetição me causa espanto. O primeiro, ok. No segundo, entrei em crise. Consolidado o término conturbado, com direito a enredo de novela das 8, jurei para todos os santos que jamais repetiria a dose. Outro gaúcho não, não e não. Com tantos rapazes nessa cidade, não era possível que eu teria que empacar justamente em Santa Maria! E foram três longos meses de reparos emocionais embalados por uma vida social praticamente nula. Meio sem ânimo, me dediquei exclusivamente ao trabalho, aos livros e a todas iguarias do conforto doméstico. Até que passado o banzo, resolvi por o pé na rua. Quer dizer, nem precisei botar o pé na rua. Aceitei um convite para uma festa e um amigo disse: - vou te buscar. E o danado veio! Acompanhado... Trouxe a tiracolo um moço simpático que semanas depois ganhou o título de meu bem, amor da minha vida. Que é o que, gente? GAÚCHO. De onde, gente? De Santa Maria! Quer dizer, mais propriamente da fronteira, mas morou anoooos em Santa Maria. É demais, não é não? Aquela noite eu quase caí pra trás. Quando entrei no carro e o rapaz, até então completamente desconhecido, me cumprimentou com um faceiro "Boa noiTÊ", completamente denunciante a procedência do sotaque, me veio um pavor súbido petrificando todas as vértebras da minha coluna. A mim me restou um mal educado "Você é gaúcho de onde, meu filho?". Pronto. O suficiente para me atirar da janela do carro. Inventar uma dor de barriga ou qualquer outro mal súbito. Como não tinha muita saída, a opção foi ignorá-lo. E ele, ao contrário, foi cortez, me tirou até pra dançar e eu insisti: Não, obrigada. Adiantou? Não. Algumas noites depois, estava firmado um belo romance. Na faculdade, foram quatro anos ao lado de vários deles. Da redação de A Tarde, herdei uma amiga querida de Pelotas, Didi, irmã de signo e de gênio. Na sétima série, fui por conta própria ao CTG da Boca do Rio pegar uma roupa de prenda emprestada pra desfilar na Feira das Nações do colégio. No ano seguinte, meus pais escolheram a Serra Gaúcha como destino do passeio em família em pleno inverno. Depois que conheci a Pró, fui a Santa Maria duas vezes. Eu AMO carreteiro, especialmente o de Clóvis (tem dia que bate uma vontade da porra!). Mês passado conheci um engenheiro de POA, na praia, com coincidências quase inacreditáveis. Recentemente, minha mãe lembrou que, quando eu tinha uns 5 anos, ela sonhou que um casal de gaúchos me raptava numa canoa. Diz ela que nunca esqueceu desse sonho. Voltando ao armário da cozinha, na prateleira dos pacotes de feijão, arroz, açúcar, ao lado do vidro de dendê tem um pacote de erva. Meio mofada, diga-se. Mas fica ali, por tradição. Funciona como uma espécie de amuleto. Pra atrair fartura e semear a união.

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pra refletir

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"As mudanças fundamentais na sociedade
são as que se produzem na mente das pessoas.
É aí que surge a mudança:
quando as pessoas mudam sua forma de pensar
e, portanto, de atuar.
As ideias não passam necessariamente
pela mudança política,
mas sim pelas mudanças que os governos têm de implementar
em função da pressão da sociedade."
Manuel Castells
[mais aqui]

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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sofisticada Marina

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domingo, 15 de agosto de 2010

Irmandade da Nossa Senhora da Boa Morte

A igreja do Carmo lotada, hoje, em Cachoeira. A procissão vagarosa, porém repleta de vigor. Foi revigorante reencontrar dona Dadinha. Conversamos um longo tempo, bem antes do cortejo sair. Aprendi que a santa (da Nossa Sra. da Boa Morte) nunca deve ser colocada de pé. Em hipótese alguma nem por distração. Ela fica sempre lá deitadinha, em repouso, exatamente como deve ser. A que vai espichada na procissão é Nossa Senhora da Glória. Os festejos iniciaram dia 12, mas roupa de gala é usada sempre no dia 15 de agosto. É o dia de festa, de alegria, celebração. Come-se feijoada. Segunda-feira, cozido. E na terça-feira, último dia, é a vez do caruru. Elas são 23. Exuberantes. Fortes. E misteriosas. A idade avançada é apenas um detalhe. Dona Filhinha, a mais velha, já passou dos 100. Vale a lição: o que elas buscam é a libertação.

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Para aquecer o lar

Uma de minhas distrações favoritas, quando estou de bobeira na Internet é passear por sites/blogs de design e decoração de ambiente. Hoje encontrei esta lareira portátil e, imediatamente, lembrei da Pró e demais amiguinhos gaúchos que estão debaixo de um inverso super rigoroso há algumas semanas.
Sem nenhuma utilidade aqui no Nordeste - só se fosse pra fazer um espetinho. Mas fico pensando que pode ser uma 'mão na roda' lá no Sul, onde uma massa de ar polar parece não querer ir embora. Dá pra transportar para todos os cômodos... O combustível é etanol. Diz o fabricante que não produz fumaça nem resíduo. Não consegui descobrir o preço. Tá a venda aqui.

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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Que cheiro você segue?

É cada coisa que aparece na Internet....
Hoje de manhã senti cheiro de maresia. De tarde, de mofo.
E no início da noite fiquei com desejo de cheiro de lambreta.
Mas teve gente que sentiu cheiro de "paz interior", "pôr-do-sol", "éter", "novidade", "jatobá", "bebê".
Diversas fragâncias.
Estão todas aqui.
Siga o cheiro!

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Em tempo

Acho que Saramago veio ao mundo para nos fustigar. Nos obrigar a raciocinar, refletir. Era de uma dureza graciosa. De uma graça pirracenta. Não dando o braço a torcer à mediocridade, à frivolidade, ao lugar-comum...acho que ele queria que nos aprofundássemos no ser, em nós mesmos, através dos nossos próprios recursos, assim como ele próprio fazia. E para isso fez tanta coisa, deixou tantos escritos, de muita importância, sem importância nenhuma... deu nó em pingo d'água na arte de viver a própria vida, arrastando boa parte da humanidade num twitter sem fim. Ser ou não ser...eta homem ladino, esse tal Saramago. E agora, José? Norma

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

E de repente, o silêncio

Foto: Pedro Walter/El Pais
A última entrevista dele: "No me hablen de la muerte porque ya la conozco"

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

De volta!

Escrevo pra dizer que andei sumida por conta do trabalho - entrei em semana de fechamento na revista e, logo em seguida, engatei uma ida à Brasília. Também por conta de uma falha da operadora da Internet (cara e imprestável, diga-se!), que anda me deixando na mão vez sim, vez não. Acabo de ler várias coisas bacanas aqui no blog, muito legais os posts, vídeos e poemas das últimas três semanas. Estou ouvindo "Club Sodade", de Cesária Évora, em homenagem a vocês. Como a gente não se encontrou no dia do niver da Pró pra cantar os parabéns, dar beijo e abraço, tô trazendo um bolinho de chocolate daquele que a gente não esquece o gosto nunca mais, pra comemorar mesmo com atraso. Eu sei que a as Divinas vivem em briga com a balança, mas aposto que ninguém está de dieta hoje!
Aproveito para contar uma novidade. Finalmente começamos a reciclar o lixo em casa. Faz pouco mais de quinze dias. Metal, plástico, papel e orgânico. Cada coisa em seu devido lugar. As malditas tetraparques e as PETs estão sendo levadas para a oficina de reciclagem da Limpec, em Camaçari. A gente lava tudo e põe num sacão. Vai também embalagem de pasta de dente (caixa e tubo), xampú, detergente, pote de manteiga, lata de creme de leite e similiares. Até o tubo de papelão do papel higiêncio pode ser transformado. No lugar da bagaça que iria diretamente pro lixo, volta pra casa um abajour, luminária, puf e outras coisinhas lindinhas que o pessoal do designer sustentável cria na oficina de reciclagem da Limpec. Uma belezura. O processo está sendo facilitado por "Meu bem", já que é funcionário da empresa citada. Foi ele quem incentivou também. Do contrário, seria praticamente impossível - não passa coleta seletiva na minha rua e, infelizmente, não tenho a disposição de ir até um ponto de arrecadação, confesso, quem dera à Camaçari. De qualquer forma, estou compartilhando pra ver se vocês se empolgam também. É impressionante como podemos reduzir o volume de lixo que colocamos no lixo. Da minha casa, sempre saiam sacões, diariamente. Hoje sai um saquinho 1/3 menor, graças à seleção. No mais, é aquele clichê bonitinho e emergencial: o planeta agradece!

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quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mania nacional

Tá na capa da Folha de S. Paulo da última quarta-feira, 31.
Em 2009, foram vendidas quase seis toneladas de anorexígenos (remédios para emagrecer) no Brasil. É como se todo brasileiro tivesse ingerido um comprimido em um dia no ano. O 'curioso' é que entre os dez maiores prescritores de sibutramina, femproporex, anfepramona e manzidol (drogas do tipo), está um especialista em medicina do tráfego - aquele médico que faz exames para obtenção da carteira de habilitação [?????], um ginecologista [???], um dermatologista [???] e até um pediatra [???????]. As informações integram o primeiro relatório do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), da Anvisa.
Confesso que é de assombrar. Assim como pontuou a farmacêutica entrevistada pela Folha, não me parece ser coerente um médico prescrever tanto uma medicação que não corresponde à sua área de atuação, entretanto, a popularização (ou seria banalização?) não é uma surpresa.
São remédios baratos, fáceis de encontrar em qualquer farmácia. No Brasil, a venda passou a ser controlada faz apenas três dias.
Tenho três amigos que tomam remédio pra emagrecer com frequência. Duas mulheres e um homem - uma delas, tem mais de 40 anos e faz uso desde os 18. Os três estão visivelmente acima do peso. Fato. Mas não estavam tanto (diga-se) quando começaram a tomar. Era apenas uma gordurinha a mais, no caso do rapaz era mais localizada no abdômem, nada que ultrapasse cerca de três quilos acima do peso ideal.
[pausa] E o que é o peso ideal?
Deve ser aquele que a gente se sente bem quando olha no espelho, não é?
Lá na clínca de massagem estética, que frequento, na rua como nome de flor, boa parte dos clientes são neurôticos com controle de peso. Tem uma mocinha mais ou menos da minha idade que faz apenas uma refeição por dia. Tem a senhora em depressão porque o marido arranjou outra [essa é magra e se acha gorda, atribui o fim do casamento ao imperceptível aumento de peso]. Tem o sr. empresário que era barrigudo, fez lipo e mantém a cintura chupada com o infra vermelho do forno quente.
Ok, se cuidar é essencial, por isso estou lá também.
Mas se a gente não cuidar da cabeça, o corpo desgoverna.
Parece que é assim que funciona.

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quarta-feira, 31 de março de 2010

Mais uma do twitter

Sabe o Jorge Pontual, aquele correspondente da Globo em Nova Iorque? Ele é primo do Cazuza.

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A chic é Rosana
Não usa pretinho
pra não dar pinta





Denis
coluna tranqüila
e coração ereto






Tássia
pin up e lambe-lambe
Lambe cria






Dorotéia
só escreve em italic







Paula Bolzan






Nívea Bona
Marca compasso
Vem pro abraço






Marina Victal
Mineira apresenta armas
Espada em punho








Melhores de 2008
Em 2009 eu vou...
Melhores de 2009
Em 2010 eu vou...
Melhores de 2010
Em 2011 eu vou...
Melhores de 2011
Em 2012 eu vou...
Melhores de 2012
Em 2013 eu vou...
Enviado Divino
Meu Primeiro Professor









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    II Clichê


    III Clichê


    IV Clichê


    V Clichê


    VI Clichê




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