sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A Pergunta

Entendo que devemos deixar um legado. Vc está vivendo o que seria o adequado na história da sua vida?

Eu disse pra ele fazer uma pergunta. Pensei que vinha alguma coisa tipo: Você gosta de acarajé? E ele mandou a pergunta que precisa de um livro para a resposta. Ou de uma palavra – como ele gosta: "Não".  No meio, uma vida.
Você não sabe, mas eu já respondi essa pergunta várias vezes. 
O sonho da minha vida era casar, ter três filhos lindos e maravilhosos e ser feliz até a morte passando pela velhice e pela doença.  Mas esqueci de combinar com os russos.  Até hoje não sei se mudei eu ou o sonho.  Mas aquela mulher com três filhos e provavelmente alguns netos, não seria nada adequada à história da minha vida, a começar pela separação no tempo em que “desquitada” era puta.  E tratada como tal. 
Fiquei uns 30 anos sem ver meu primeiro marido. No dia em que iríamos nos reencontrar em Porto Alegre, no avião me dei conta da pergunta que ele faria: O que você fez nesses trinta anos?  Peguei a velha caneta, o bloquinho de papel e escrevi: “Vivi na Bahia. Trabalhei muito, conheci gente bem interessante e muitas horríveis. Viajei bastante, mas menos do que eu gostaria. Tive mais um marido e não tive filhos”.
(às vezes saber ser concisa ajuda muito).
Continuando a resposta... Não sei se seria o “adequado à minha vida”, mas gostaria de colocar uma mochila leve nas costas e ir.  Sem pressa. Como observadora. E absorvadora... – aquela que absorve (argh).
Gosto da sua tranquilidade quando você fala de conclusão. De impermanência. Da morte.  Mas não gosto da palavra legado. 
Primeiro me lembra da trágica copa do mundo no Brasil. Parece que a palavra não existia antes. Nem existe agora. Pelo menos legado da copa não existe. Mas... volta... não gosto da palavra. Tem um grande quê de ego. De vaidade. E brigo com meu ego – quando sou capaz de percebê-lo. 
Assim, deixando o ego de lado e consciente da impermanência, lhe digo que não há legado meu. Dificilmente haverá.  Não assim.  Não o concreto! Nada de holding. Ou uma invenção revolucionária.  Ou ainda uma nova forma de arte.  Sequer um best seller. Posso até construir uma ou duas coisas antes da morte, mas não é isso. Espero deixar valores (exceção feita ao anel de formatura de piano).  
Penso, trabalho, medito, oro e ajo pra fazer o mundo um pouquinho melhor (olha o ego aí...) com minha vizinha mais feliz, com dois gatos de rua abrigados e alimentados, com a gargalhada gostosa da minha sobrinha, com o sentimento de ser muito amado que deixo com quem eu amo sempre.  
Acordo sabendo que poderia não ter acordado e às vezes consigo respirar consciente de que aquela inspiração pode ser a última.  Morreria com uma baita saudades de ti. 
Assim, se alguém fica feliz quando estou perto, se outro fica melhor com um bilhete meu, se deixo mais ameno o cansaço da senhora que está de pé numa fila ou ofereço meu lugar na janela do avião para a criança que chega...  está bom.
E se eu conseguir sempre fazer isso e um pouco mais, terei deixado um legado e tanto.   

Quanto a sermos sexagenários e termos nossa história caminhando para uma conclusão... Você né fio?  Eu não... 
Acredite: sessenta são os novos quarenta baby!  (eu ía escrever quelido mas...) 

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O ENCONTRO - 50 anos depois - dedicado a Ewa Danuta Cichecka

Rosária.
Linda.  E alta. E loira. E jogava queimada como nenhuma outra.  Pra cortar os pulsos cada vez que via... mas não. Era doce, bem humorada, feliz.  Queridissima.  Reencontro  Rosária mais de 40 anos depois e quase cortei os pulsos. Só não cortei porque não jogamos queimada!  Ela é a mesma. Do Luiza com Z mas que pode ser com S e ela sabe disso. Luiza Macuco.  Rosária cuidadosa com os amigos, reúne as meninas da classe todos os anos. Que classe? A de 1965. A de 50 anos atrás. 
Pausa para respiração profunda.
Trocamos virtualidades.  E agora, acho que desde semana retrasada, tá lá Rosária no meu inbox avisando da próxima reunião. Ela é cuidadosa lembra? Quer saber quando posso ir... e daí em diante tem sido uma avalanche de recordações amorosas todos os dias, todas as horas, minuto a minuto às vezes. 
Fomos ressurgindo. Cada um trazendo seu melhor – às vezes esquecido, guardado junto com uma letra de música amarelada, a carteira do grêmio estudantil, o boletim com mais faltas do que notas, convite de formatura... ou as fotos. Muitas fotos. Pego a minha de 1965. A única que faltava para a Rosária. Somos crianças. Quase todas com 11 anos.  1.ª Série do Ginásio.  Colégio Estadual.  Era brabo para entrar. Tinha exame de admissão depois do primário e às vezes não dava pra passar e a gente tinha que fazer um 5º ano de Primário. Estamos lá na foto do PantaleÓN Alcaraz que nos fotografou até o 3.º ano e nos colocou na mesma capa de papelão verde com o endereço na frente e o preço dentro.  Cr$ 1.000,00 (antes dos cruzeiros novos). 
As lembranças não chegam em anos. Nem separadas em arquivos por letras do primeiro nome. Chegam se atropelando. Paulo Esteves. Só toquei em público uma vez - na minha formatura - e uma vez para ele. Fiz uma audição de piano exclusiva.  Heloisa Hunold.  Dezenas e dezenas de vezes, na frente de um arquiteto bam bam bam, eu lembrava da casa dela, com aquela mesa de cozinha gigante embaixo de um pergolado transparente  com pé  direito triplo.  A Ewa que me trazia histórias de um mundo muito distante e do irmão dela que jogava rugby. A Leka e a Sonia. Parceiras de noites sem dormir e cigarros roubados.  A Ana e o cabelo igual ao meu.  A Lurdes, séria e inteligente. A Cristina Mancuso, uma espoletinha sempre pronta. A Dalva e o Régis... ui...  A Eunice e o mesmo humor contagiante! O mesmo sorriso sem medo de nada! Os laços da Tania. Os irmãos mais velhos ou mais novos na cantina. O Bizelli e o Rinaldi, dupla inseparável de doces amigos e uma caixinha de música azul. Espiga, China, Aragão – e o amado irmão dele - que mais do que vencer no basquete, ou de representar nosso Luiza por aí, eram nossos companheiros queridos!  Cansei de sentar a bunda no gelado concreto das arquibancadas dos ginásios pra ver vocês jogarem!  Carrasco, Lumumba, Ernestos, Pepino... A letra da amorosa sofrência da Leda. A voz cantante do Sujo. O piano do Bizelli e a bola de basquete do Rinaldi. Meninos que foram nossos primeiros exemplos de homens! E foram mesmo! Dos melhores exemplos! (como menina, torço para que também tenhamos deixado uma boa impressão feminina pra eles!).
Na verdade nós não deixávamos impressão. Nós éramos. Aquilo ali. Aqueles ali. Sem photoshop ou filtro. Sem selfie. Sem usar chats pra contar as novidades. Soubemos como viver cada a cara, olho no olho, todo dia, 4 ou 5 horas por dia, às vezes mais, por 3, 4, 5, até 7 anos seguidos,  como as meninas da foto de 1965!  Nem sei mais o que é preciso pra isso. Nem sei se isso ainda é possível mas com a gente foi. Crescemos juntos.  No amplo significado da palavra.  O Luiza viu a nossa transformação em adultos. Nós nos vimos... nós nos acompanhamos.  E as perdas doeram como se a notícia fosse dada no meio de uma aula.
Fato é que naquele estranho “submarino” meio achatadinho,  no fim da cidade, depois do canal 6, criamos um elo que agora nos transporta para aulas, notas, professores, esportes e festivais. Bailinhos, aniversários, encontros ao redor de um violão. Nos leva num passeio pela cidade antiga, pelas casas onde moramos, pelos bondes, pelos exames de segunda época... senta a gente naquelas pequenas carteiras de madeira em ripas e nos veste com uma saia pregueada – ou calça - e um vulcabrás nos pés.
Temos um delicioso elo que faz com que – quase – quando eu saio do computador, depois das nossas conversas virtuais, sou capaz de me ver no espelho de franja.  “Nosso reencontro nos transforma” (Ewa).
Aliás, acho que vou pedir pra costureira fazer uma saia cinza com prega macho na frente, comprar uma meia três quartos branca e um mocassim preto. Só pra rir... porque o elo perdido já encontramos.  Ou, nunca perdemos.



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sábado, 27 de setembro de 2014

VIAGEM RIO

Um ano.  Se tudo fosse pouco, voltaríamos com as bênçãos de São Cosme e Damião e com o tempero de Lady Neide. Mas foi transbordante. De Letícia.
Há algo de misterioso nela. De grandioso, tudo.
Fomos cinco o tempo todo encantadas. Apaixonadas. Cuidadas, amadas, alimentadas de comida, de cultura, de flores, cheiros, dengos e dendê. 
Vinho. Muito vinho. Cerveja. Champagne. Monte de gargalhadas e gritos. Um especial. O frio na espinha gelando a meia dúzia de mulheres salvas sabe-se lá como.
Era pra ser um café da manhã. Foi um final de semana pra sempre.
Sei que fui puxada. Imantada. Abençoada!
Hoje, mais de 6000 mensagens trocadas com a retranca "Viagem Rio",   sou uma pessoa pouquinho melhor por causa de vocês.  Amo. Paixão.
Tia Let,  você é foda!

     


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domingo, 14 de setembro de 2014

Aécio, Dilma e Marina. O ego, a presidência e as galinhas.



Essa campanha política me deixa deprê.
Gosto de política desde sempre. Nasci em Santos e sou geração pré 64. Para os iniciados basta.  Parentes, vizinhos, professores, amigos, todos vítimas da ditadura. Faculdade fervendo.  No começo dos anos 80 lembro como hoje a primeira vez que vi no estúdio da TV Aratu, para o mesmo Bom Dia Bahia, Manoel Castro, prefeito e Loreta Valadares, a comunista.  Do lado de Manoel Castro o Tenente Mendes todo cheio de cordinhas amarelas no uniforme (eu conhecia o Tenente do carnaval de Rua de Salvador – ficávamos na mesma turma com Saldanha - em frente ao pé de mulher). E verbalizei alto: “Isso é democracia”.  E todos rimos, felizes.  Gente educada! Civilizada!  Era tempo do excelente Jornal do Brasil – leitura diária obrigatória e deliciosa.  Eu quero votar pra Presidente demora um pouco mais. Tancredo morre.  Instala-se a Constituinte.  Eleição direta em 89.  Todos os candidatos passaram pelo estúdio da TV Aratu.  Ou no Bom Dia ou no Opinião ou nos dois.  Grandes e excelentes jornalistas como entrevistadores.  Eu só mediava...  Foi um período excepcionalmente bom.  Onde outro Ulisses, outro Mario Covas?  Cadê  um Afif com “juntos chegaremos lá” e aquele bizarro gesto com as mãos?   Lula! Lula, no Bom Dia, viu um TP pela primeira vez...  “e eu pensava que eles decoravam aquilo tudo...”    Teve Collor.  Sabemos.  Mas foi uma bela campanha!  Foi A campanha.
E agora.
Nós, seres humanos, estamos cada vez mais insuportáveis.  Com egos que não entram nos carros (creio que é por isso que cada vez mais os carros estão maiores, mais altos, mais potentes e mais caros).  “Não há porque eu não fazer o que quero. Quem manda em mim?  Eu sou assim e pronto!  Quem quiser gostar é assim” – ouvimos toda hora.   As frases de efeito, de auto-ajuda, trazem embutido esse conceito de primeiro eu.  Textos tipo “eu já estou na idade de não me incomodar mais com o que os outros pensam” demonstram no nosso dia a dia o “cagando e andando” tão gostoso com duas pedras de gelo. 
Quem não roda nessa freqüência vira Geni.  Seja voluntário no Instituto de Cegos ou protetor de animais.  Seja quem devolve o troco recebido a mais ou o doente que não quer furar a fila do transplante.  O bom, honesto, ético, é sinônimo de babaca.  O malandro, falso, ladrão, é sinônimo de inteligente.  E não há coluna do meio.  Ou você sai para o acostamento quando a estrada está congestionada ou é o trouxa preso no engarrafamento.   E já acostumamos.  Já incorporamos esses conceitos.       
Aí, começa uma campanha política para Presidência da República.  Não podia dar boa coisa.
Gente da mais alta qualidade quer por o seu candidato no Palácio do Planalto. E tudo ia de acordo com o esperado pelas cabeças mais brilhantes do País. Mas... o imponderável  bateu.    
E mais do que num “salve-se quem puder” estamos diante de um “você que se foda”.  Aqui se fala muito um provérbio perfeito pra definir essa ganância: “farinha pouca meu pirão primeiro”.   O provérbio é melhor do que a realidade porque depois do primeiro tem o segundo, o terceiro talvez.  Mas nesse mundo do poder não. É tudo meu.  Nada pra você.  Seja o pirão pouco ou muito EU QUERO TUDO.  Nem que tenha que te cortar as mãos pra vc não comer!   
Os especialistas no assunto gostam de dizer “faz parte do jogo político”.
Tô até aqui desse jogo! Política não é um jogo. É um trabalho. Uma opção. Um dever que deveria ser encarado como uma honra!  E deveria haver concurso pra político!  Na democracia o político é um representante. Funcionário público pago por quem o elegeu.   
E milhões, MILHÕES de brasileiros vão eleger a criatura que vai ocupar o Palácio do Planalto.
Que jogue milho para as galinhas. E se as galinhas não forem tão egoístas como nós, seres humanos, podem deixar sobrar uns milhozinhos pelo chão...



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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A lenda

Agora é a Perséfone que vai virar manequim Plus Size!
Toda gorda vai se achar... melhor logo se perder porque as gordas pobres mortais todas “fizeram tererê nos cabelos de Jesus”  (ataque de Felix).
Tempos de “vamos assumir”, sem photoshop, mulher real, plus size... sei! Me engana que eu gosto!
Só se for na piscina de Letícia com amigas íntimas que sabem que muito do que eu tenho hoje não nasceu comigo, por que na vida real fófi, o buraco não é nem mais em baixo. O buraco não é localizado.
Se vc não for a Maria Carey ou a Kristie Alley, que já foram magras e passaram para o lado da sombra (só gorda faz sombra), ou se vc der a sorte de ser a Oprah e ficar brincando de ir e vir, você pode ser gorda! Como pode! Mas minha querida, fora disso, não se iluda!
Todos os dias eu comprovo 3 coisas:
1. As tais “mulheres reais” são lindas – só não são reais!
2. As que tiram foto sem o uso do photoshop são mais lindas ainda do que photoshopadas.
3. As modelos plus size todas tem cara de vinte anos, nenhuma tem celulite e não são gordas - cheinhas talvez - elas vestem um manequim menor pra roupa ficar apertada.
Você não é a Beth Ditto que eu sei. Nem a Adele. Sequer a Perséfone você é! Também não é a esposa (palavra chic no último) do James Bond Pierce Brosnan. Então, acorda Alice e EMAGRECE JÁ!  O mundo odeia gordas e gordos!

Calma patrulha, calma... Claro que eu não estou aqui pra falar sério... mas que gorda fotografa mal fotografa!  Taí a nossa TV HD deixando toda “normal” desesperada e até, tirando gordo do ar!
Estão aí os selfies de gordas trabalhadissimos no enquadramento...
Estão aqui minhas amigas, que graças aos céus são mais baixas do que eu e permitem que – com essa desculpa ridícula e mentirosa – eu sempre saia BEM atrás nas fotos (alô alô baixinhas meus amores).


Não sei de vocês, gordas leitoras, mas minha camiseta tá pronta:


 “SOU GORDA FELIZ. TÔ MAGRA” 
(aceito encomendas)   

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Feliz Aniversário


Faço aniversário mês que vem e me pego pensando nos “Feliz Aniversário”. Como mudou!
Agnaldo Sampaio, o calça-curta, talvez nem se lembre mas já me deu de presente de aniversário um mágico! Com cartola coelho e tudo!
Ganhei uma vez uma caixa de orquídeas hollywoodiana! Tinha tipo... um metro e vinte de comprimento!
Quando aquele namorado meigo me perguntou o que eu queria de presente, fiz uma lista. Do que não queria. E ele arraZou!  Me enviou numa caixa dezenas de coisas, desde caneta a pratinho com desenho de Toulouse Lautrec.  Teve a fivela de cabelo. O conjunto de canetas tinteiro e esferográfica.  O anel de formatura em piano. Os bilhetes que as amigas deixaram por todo o meu quarto – escondidas e escondidos – e que fui achando dias seguidos. Receber telegrama então... o máximo! Tenho váááááários guardados! Enfim, felizes aniversários não vem junto com o presente, mas ouvir, ler, saber que alguém lhe deseja um dia feliz parece muito importante pra maioria das pessoas.
Passagem de tempo.
Legenda: muitos anos depois...
Facebook. Dedo duro entrega solenemente quando um dos meus amigos está “completando anos” e lá vou eu pensar no que escrever. Às vezes é bico... ta na cara... a pessoa já vem nas letrinhas. Às vezes a pessoa é mais um pouco e eu quero caprichar. Aí demora. Escrevo, reescrevo, edito, tiro, deleto, começo novamente... até que vai.  Às vezes então... um parto!
Gosto de colocar flores nos votos de Feliz e juntei tantas imagens que tenho floriculturas espalhadas pelos arquivos. Depois virou moda e deixei de colocar mas sempre tento achar uma imagem, uma frase, uma foto bacaninha pra dizer Feliz Aniversário (gosto de ser original...sabia não né?...)
Só que não.
De uns tempos pra cá noto que “as pessoas” não respondem mais. No dia seguinte ao aniversário você vê lá no face da creatura: “Gostaria de agradecer um por um os votos de Feliz Aniversário mas...”   Ou “agradeço a todos que tiraram um tempo para...”   Davidson Botelho tascou logo o número “agradeço as 1600 e não sei quantas mensagens”  que é pra humilhar a gente mesmo... (como se aquela HD fosse pouco...)
Raras e honrosas exceções respondem todas as mensagens, mas já vi delicadezas maravilhosas tipo “Gente, vou demorar dias pra responder a todos vocês, mas faço questão...”   e já vi gente que durante o dia do aniversário mesmo fica on line o tempo todo e responde na hora – via qualquer desses 300 e 18 métodos que existem hoje.
Fato é que, por conta do meu ego gigante, fiquei “xatiada” de não ter resposta individual aos meu votos de Feliz Aniversário e tomei uma atitude radical: deixei de escrever!
Me arrependo, claro... mas introjetei tanto isso que ignoro o que o face teima em me lembrar e perco a chance de demonstrar o quanto gosto, o quanto admiro e o quanto desejo o bem daquele aniversariante daquele dia.  Desejar eu continuo desejando – mas a pessoa fica sem saber. Como se eu estivesse temporariamente muda, telefonasse, não dissesse nada e desligasse o telefone.
Também não responder é como ligar para o aniversariante e atender uma gravação “obrigada por lembrar do meu aniversário...”
De qualquer forma, tentando ser justa com todos que eu não desejei feliz aniversário  e com os que eu desejei e fizeram agradecimento geral, tirei a data do meu aniversário do face.  É. Tirei. Não vou ser tão radical a ponto de bloquear minha linha do tempo (meu ego não agüentaria tanto) mas se esse dedo duro aqui te contar que dia completo mais uma ano de vida foi por conta dele! Não fui eu!

Em tempo: hoje é aniversário de Sergio Carneiro (que vai responder genericamente a todos amanhã); de Cássia Arriaga – minha primeira estagiária e que adoro de todo jeito; de Isabela Oliveira que é fotógrafa e trabalha com a arte na Fundação Mario Cravo;  de Kiki Meirelles, arquiteta talentosa e fofa; de Clécio Max jornalistão dos bons e de Jutahy Jr – que está on line e que deseja, “do próprio punho”, feliz aniversário aos amigos do face! Dá-lhe Jutahy! Que sabe como funciona a brincadeira...

Em tempo 2: Pra você, Feliz Aniversário! Seja lá que dia for!




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domingo, 21 de julho de 2013

O PAPA FRANCISCO VEM AÍ

Eu queria ver o Papa. Queria mesmo.
Li no face que ele deveria ser chamado de Papa Chico (acho que Barreto). Pois concordo! Até porque nossa referência em Chico é a melhor possível e cada dia mais ele se parece com brasileiro.  
Está firme com o mesmo sapatinho preto, com o anel de prata e a cruz e corrente também de prata. Usa um carro Ford sei lá de que tipo pra se locomover por dentro do Vaticano e adaptou os seguranças e o papamóvel ao seu estilo.   
Vai andando no jipinho e o que jogam ele pega. Seja camisa de futebol ou terço. A pé, o que oferecem ele aceita. Uma perna engessada, ele assina. Uma criança, ele pega. Outra, ele abraça. Pega cartaz também.  O que não pega, dá puleiro – como deu para a pomba branca que pousou em seus dedos.
E é beijoqueiro que só.  Gosta tanto que manda beijinhos de longe.
Já viu Papa fazendo sinal de positivo? E as gargalhadas? Pois é... Papa Francisco!
É fácil imaginar a quantidade de cartazes que podem chegar nas mãos dele. Fácil imaginar ele chamando a mídia NINJA pra entrevista. Fácil imaginar ele de pé, dançando ao ritmo de uma comunidade.  Vai ser facim facim ouvir ele repetir o texto do menos é mais.  Chamar os jovens pra entrarem na política e mudar o que vemos.  Criticar gastos excessivos com supérfluos e pedir  atenção para as necessidades dos pobres.  Ele vai falar de futebol. Da seleção brasileira e da Copa do Mundo.  Humildemente não vai citar sua nacionalidade.
Vai saber quanto custou algumas coisas e não vai gostar. E vai dizer que não gostou.  Não vai ter baderna.
Me lembro do Capitão Nascimento em Tropa de Elite preocupadíssimo com a possibilidade de “Sua Santidade levar um balaço bem aqui”  e sei que a segurança será perfeita. Nenhum cinzeiro voará da varanda do Copacabana Palace. 

Ele vai adorar!  Vai se emocionar diversas vezes e vai se despedir prometendo voltar. 
E aqui  tem uma coisinha que não me sai da cabeça: um argentino – não um argentino qualquer -  vai falar bem do Brasil 5 dias inteiros pro mundo inteiro ouvir. 
Inclusive os argentinos. Ui... 

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sábado, 13 de julho de 2013

O Mingau

A pessoa está ótima! Acaba de sair da Fonte Nova. Está no Alfredo com os amigos e o mal estar ataca de repente. Não dá nem para esperar o licor. De táxi já chega em casa péssimo. A noite é triste. 
É gripe. Da forte. Diagnóstico unânime. Somos todos médicos.
Sintomas variados, conhecidos, pouco alterados, diferentes, mas estão todos ali: dor de cabeça, dor no corpo, intestino solto, tosse.
- Bom é chá de alho com gengibre.
- Minha mãe me dava leite com açúcar queimado.
- Muita vitamina C. 10 gramas por dia.
- Vitamina C. Uma grama por dia. O organismo não absorve mais do que isso.
- Frutas. Sucos. Água de Côco.
- Xarope. E cama. Cama. Cama.
A pessoa passa dias na cama. Tudo igual. A tosse piora. O melhor caminho parece a emergência hospitalar. É virose (tinha médico lá). E o pulmão tá carregado. “Vamos entrar com antibiótico e fazer inalação.”
- Lembra o Vick Vaporub? Agora tem um novo perfeito pra isso!
- Banho de assento! Não há nada melhor! Cura tudo!
- Antes de dormir tem que passar um suadouro. Sai tudo pelos poros.
- Essa medicina tradicional... a antroposofia vai além do físico.
O São João passou batido e quem é baiano sabe a dor que isso representa, mas a pessoa se acha bem e lá vai buscar o bólido na oficina. Bem, muito bem, vai dar uma voltinha no shopping. É a cura. Leva o final de semana light. Segunda vai ali e volta. Terça também e na quarta... piora! Pouco de febre. Médico novamente (aqui acho que não ta faltando). Hidratação. Inalação e mais um remedinho. Tudo incomoda. Os dias passam como meses mas a vida segue com virose ou sem virose e a pessoa já se sente o próprio vírus de pé, gigante ET com capacete preto, garras e dentes afiados pronto a invadir o corpo de qualquer ser vivo que passe por perto! Não quer nem planta! Assim a arrumadeira grávida fica dispensada dos serviços. Só prevenção...
A "coisa" já dura muito tempo e as tribos se definem.
Tem a do consolo: - Virose é assim mesmo! Demora...
Os Solidários: - Já tive. Fiquei um mês tossindo feito cachorro!
O Acusador : - Culpa sua! Não disse que aquele negócio que vc fez ia dar merda?
O Natureba: - Esses remédios alopáticos não adiantam nada...
O Descrente: - Que antibiótico vc está tomando? Ah... esse não adianta...
O Crente: - Vou orar por você.

Duas semanas depois, todos certos e tudo igual, o Médico (aquele profissional qualificado) determina: corticoides! Caraca... É grave mesmo!
Isso a pessoa já recebeu doces de todos os tipos, livros, sucos, água de côco, sopas, cremes, consomés e caldos de diversos gêneros. Já está na fase do "quero guaraná gelada" mas a disgrama da tosse resiste bravamente!
- Própolis é ótimo.
- Gengibre.
- Alho. Vende em pílula.
- Xarope de cenoura
- Canela e Cravo da Índia.
E o natureba: - Deixa... é o organismo liberando substâncias estranhas...

A pessoa já passou da fase de anotar as receitas. Já passou da fase de dar atenção. Já passou até da fase de ouvir... mas aí vem a derradeira receita. A única. A verdadeira cura: O Mingau de Cachorro! Descrito com detalhes e sotaque pela diarista da hora:
“Farinha de mandioca, alho, pimenta e limão. Amassa tudo. É muito forte, tem que tomar bem quente mas mata todos esses bichinhos aí.”

Essa salvação nem nosso Sydney Rezende agüentou!...
Assim, 3 semanas depois de litros e litros de líquidos, quilos e quilos de vitamina C, chás de quase todos os tipos e pronto pra lançar um livro de receitas caseiras, Sydney vai ao pneumologista.
Depois da consulta come no shopping (macarrão, carne e batata frita) e jura que a primeira pessoa que disser pra ele que tá com virose, ele interna na hora.

(no Google aparecem 413 mil resultados p/ "cura natural para virose" incluindo Mingau de Cachorro)

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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Veneza, Paris, Geografia e Beijo na Boca

Conheço gente que conhece Veneza. Conheço gente que conhece Paris.
Algumas dessas pessoas são exatamente como eram antes de viajar. Só que isso sempre me intrigou.
É como ir à Índia e voltar normal.
Como dar de cara com as flores da primavera parisiense e ficar imune?  Como navegar nos canais de Veneza e não chorar?  Nunca entendi... e nunca perguntei. Mas nestes dias de romantismo na marra - Dia dos Namorados - tive um insight:
É gente que não gosta de beijo na boca!  É sim! É gente que não é romântica!
Vamos com calma... calma... Não é que não ama, que não é apaixonado, que tem outra ou outro. Não é nada disso. São pessoas... digamos... mais práticas, mais objetivas, até mais maduras - diriam alguns analistas da hora.  Claro que podem surpreender dentro de quatro paredes - até porque, todo mundo pode - mas não se engane: seu presente de Dia dos Namorados será mais útil do que lindo e o Beijo na Boca não terá nada de cinematográficos 120 segundos.
Também, nesse mundo cruel, quem quer ser romântico?  (nós queremos... eu sei... eu sei...)
Verdade é que quem é,  até disfarça pra não pagar mico de ser amante a moda antiga brega e ultrapassado.
Também não sei se é possível aprender a ser romântico mas Beijo na Boca tenho um amigo que jura que só aprendeu como é com mais de 60 (ele existe de verdade - e jura que é melhor tarde do que nunca).  
De qualquer forma, posso dizer com toda segurança que tem Beijo na Boca que vale por uma Lua de Mel inteirinha!

Mas você querida amiga, querido amigo, use sua percepção, pergunte se for o caso, mas não viaje para o lugar errado só porque amar é bom (bom não, é ótimo) e porque aprendeu desde sempre que existem lugares especiais para o amor!  Esqueça isso!
Se teu amor é do tipo menos aqui e mais ali, estude bem o mapa mundi e todos os anexos. Existem lugares incríveis fora dos cartões postais e até fora dos mapas.
Tá certo que provavelmente você nunca vai ganhar um anel de brilhante da Tiffany dentro de uma taça de champanhe, mas quando teus amigos falarem (entediados) de Paris, você vai poder contar como foi aquele beijo de 3 segundos no alto do Kilimanjaro. E afinal, que diabos de amante vai se preocupar com a geografia que não seja a do corpo mais próximo? Ui...  

Assim sendo,
Feliz Dia dos Namorados. Seja onde for.
Com Beijo na Boca. Seja como for.

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

DIA DO EX NAMORADO

Do primeiro todo mundo se lembra...
O meu, foi Celso. Celsinho. Moreno lindo. Sorriso escândalo. Meio vizinho. Acho que durou uns 3 meses. O namoro era no ônibus, na volta da escola e ele descia um ponto depois de mim pra não dar pinta.
Depois veio Teco (juro que não digo o nome dele). Sem detalhes. Durou 3 anos. De namoro no portão ou no alpendre, e de passeios de carro feitos com minha mãe. Ele tinha um Jeep (adoro até hoje), um karmann ghia e uma Winchester 44. Foi quem me ensinou a dirigir. A atirar não. Mas o moço queria casar e eu... tinha 18 anos... continuei a vida.
Teve Silvio. Violão na mão e voz de quem consegue o que quiser. Me ensinou a dançar.
Aí chegou o marido. O primeiro. Julio. Maravilhoso! Melhor homem pra minha melhor amiga. Me ensinou a ser. A me jogar. A não ter medo de fazer. Me ensinou metade do que eu sou (além de ter me ensinado a andar de moto e de ter me trazido pra morar em Salvador).
Gabriel. Segundo marido – o que faz com que até hoje eu diga que tive sorte: meus dois grandes amores foram meus maridos! (os outros amores não foram maridos). Com Gabriel aprendi que amor pode ser silencioso. Quieto. Calmo. E constante. Cem por cento presente. E que dinheiro não faz falta alguma. Depois virou esculhambação...
Tive um namorado que fazia tiro ao pombo. Pense...Não aprendi nada com ele.
Teve Dionísio. Curitibano charmoso sonho de qualquer sogra. Chic, milionário e básico. É! A combinação pode existir.
E Nelsinho. Aquela gracinha de paulista com cabelo de anjo que descia a serra fazendo pega com os amigos (não podia dar certo).
Teve o Soldado (como dizia Safira). Me ensinou a não querer o que não posso ter.
E o coronelzinho do Rio Grande do Norte. Com ele aprendi onde é o fim do mundo e como as mães podem errar na educação de um filho.

Como o próprio nome diz, é ex. E ex significa mais do que qualquer coisa, que nada é para sempre.
No caso dos ex, já escrevi há tempos no meu testamento:
“Aos homens que quis e tive, nem uma linha a mais.”

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quinta-feira, 14 de março de 2013

QUERO DANÇAR

Há quanto tempo não danço? Não lembro. Mas sinto até agora aquele abraço ondulante... fazendo marola!
Aprendi com meu irmão, na sala, no corredor e nas festinhas regadas a cuba libre na casa dos amigos (você que tem menos de 30, 40, pode parar de ler).
Meus pais não gostavam que eu fosse mas eu tinha UM irmão! E as minhas duas amigas vizinhas também tinham IRMÃOS. Então... sempre um par de olhos masculinos era responsável por nós.
Mas o bom mesmo era durante a paquera ou já no namoro mesmo.
Quando ele soltava a mão esquerda pra colocar os dois braços na cintura da gente... era quase um pedido de casamento! E a circunferência dos braços ía diminuindo de acordo com o interesse até os braços se cruzarem nas nossas costas. Sim, porque essa  decisão era dele... nós éramos mulherzinhas e não tomávamos iniciativa alguma... Mas era também o momento de descartar o moço pra sempre - caso vc não estivesse a fim. E essa decisão era nossa... totalmente mocinhas - se é que me entendes.
Era namoro. O corpo todo colado. Rosto. Coxa. Peito. Sentir o coração ressoar com a batida da música. A mão suar. Os olhares, a sincronia de passos, o movimento exato... tudo tão natural e absurdamente sensual.
A gente cresceu um pouquinho e ainda pegou o tempo do "vamos pra outro lugar" dito sussurrado no meio da pista, e também pegou o tempo de dançar junto, e muito, com os amigos.
Quem aqui dançou com Carlinhos Sampaio levanta a mão!
Aliás, tinha uns baianos muito bons nesse negócio de dois pra lá dois prá cá - e olha que não peguei os tempos áureos da Clouse Up...mas dancei bastante. E dançava bem. Era boa de samba quadradinho - onde meu irmão dá show até hoje - o que na maioria das vezes surpreendia os menos avisados.

Bom mesmo seria hoje, no restaurante, antes mesmo da sobremesa, ouvir um "quer dançar?".
E de pé, na hora em que o braço puxasse para o primeiro passo, poder se ajeitar dentro daquele abraço e  me deixar levar.      








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terça-feira, 5 de março de 2013

SAUDADES

Sou de sentir saudades. Das coisas mais bobas principalmente. Hoje passei o dia com saudades. Daquele carro do amigo que que eu dirigi. Dos cabelos loiros que já tive. Do passeio de escuna até Morro de São Paulo. Da pose pra foto em frente a obra de Mario Cravo. Saudade do conhecido no avião que me segurou de Salvador a São Paulo  no dia em que meu pai estava em coma. Saudade do casamento da Sonia. Do casamento do Bira. Tenho saudades dos domingos na Ponta da Praia com os amigos do colegial. Tenho saudades de uma saia azul que eu tive. E das garupas de algumas motos em que andei. Tenho saudades do Bidu, o vira latas, e do Eurico, o Dálmata que ria. Tenho saudades do macacão vermelho que dei pra empregada grávida. Sinto saudades da indescritível sensação de ver a Torre Eiffel pela primeira vez debaixo de uma chuva fina e do sabor do primeiro pão que comi na rua no Cairo. Sinto saudades da Pça lá do lado de casa e de ver meu pai vindo devagarzinho, caminhando pela calçada.
Do mesmo jeito que sinto saudades de ver o fusca verde sair da avenida e fazer a curva pra entrar na garagem.
Às vezes sinto saudades até da blusa de linho lilás.
Mas só às vezes.
Na maioria do tempo, sinto saudades de amanhã.  
     

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Da Espanha eu quero...

Pouca coisa. Eu acho.
Mas me lembro que uma vez, uma amiga mooooito rica, de berço e tradição, arranjou um namoradaço espanhol e estava toda exibida porque ia conhecer a família do moço. MetideZima veio toda educadinha contando esta linda história e terminou perguntando: "O que vc gostaria que eu te trouxesse de presente da Espanha?"  Respondi de pronto: "Um xale Sevilhano!". A bicha ficou beige... baixou o tom de voz: "Mas Denis, chegam a custar mil dólares..." E euzinha: "Eu sei, tenho um. Queria outro..."
Sim, eu sou cruel!
Sim, é fato. Tenho um deslumbrante beige (que só uso em ocasiões pra lá de especiais). Queria um colorido... mas juro que não te peço Dna Bona.
Te peço uma pecinha simples. Peineta.
Só consigo prender o cabelo com no mínimo dois dentes - só com um palito não consigo, e as peinetas sempre tem 2, 3 ou mais.
Vale de plástico, claro (ou acetato como eles gostam de nos enganar). Nem sei se tem de madeira, mas tb vale. De qualquer material vale. Muito trabalhadas e muito altas é que não! Não vou usar...
Vi na rede algumas por 75 euros. Nem chegue perto tá? Só vale se for no "balaio". Na "baciada" mesmo.
Se tiver etiqueta pendurada vc deixa... pra eu usar com a etiqueta sacudindo na cara das phinas...

Fique bem, firme, forte, chore de saudades,
e volte ótema!




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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Iemanjá

arte Nildão



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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lá vem o Carnaval...


Bom era no meu tempo... a gente sentado nos tamboretes da Praça Castro Alves esperando Caetano subir num trio qualquer pra cantar. Papo de velho. É. Envelheci. Eu, Caetano e mais uma porrada de gente bacana. E por isso o carnaval mudou. Por isso tanto bloco, tanto carro de apoio, tanto camarote.   
Vai lá você, hoje, no bloco... tirando o pé do chão por mais de 5 minutos sem se matar, vai! Vai lá você no bloco se não for em cima do trio tomando  uísque escocês com água de côco, boné na cabeça e bloqueador solar vai...
Vai lá você cantar a Beleza Negra do Ilê  com Daniela na Barra, se não for de dentro do camarote dela espremido entre Joyce e algum artista novato da Globo vai...   

Meus ídolos não morreram de overdose. Envelheceram.
Bell pode fazer o que quiser – e faz – para os filhos, mas não vai rolar aquela pergunta pra Rafa ou Pipo:  “como é que você faz xixi?”. Bell nunca pára de cantar no bloco. Oito horas na avenida três dias, mais 4 horas na Barra 7 dias seguidos sem parar. Quem guenta?
Era um tal de Bell explicar coisas inexplicáveis pra repórter que vou te dizer... e a voz? Aquele timbre? Um calo nas cordas, um sei lá o quê. Quem tinha dinheiro estava dentro dos Internacionais, depois dentro do Camaleão. Quem não tinha, parava em algum ponto da Avenida sete pra ver o Chiclete passar.

Quem tem peito, fôlego, carisma, raça, saúde, (porque o resto tem muito mais hoje do que no meu tempo) pra chegar tocando na Praça as 2 da manhã e ficar até as 6, dar entrevista, voltar a cantar até as 9 e só parar no Campo Grande como Gerônimo?

Porque Ricardo Chaves sempre foi considerado por todo mundo em todos os lugares o melhor puxador de bloco? Porque tinha uma banda espetacular e porque não parava de cantar um segundo no bloco.  Quando deu uma bobeira e a voz balançou no meio do percurso, a backing vocal dele assumiu o comando. Era Daniela Mercury e o bloco só ganhou! (Daniela se esqueceu dessa parte do currículo dela)  
Não é a toa que Ricardo Chaves está fora desse carnaval tão diferente do carnaval do meu tempo e do dele. Não é mais preciso puxador de bloco.

Daniela? Um dia... lá pelos idos do Século passado, voltávamos a pé pra casa Simone Souto Maior e eu. Umas 4 da madruga de uma terça de carnaval. A-CA-BA-DAS! DES-TRU-Í-DAS!  Vínhamos ali pela Graça em direção à Vitória  mudas, ouvindo ainda trio tocando. De repente ouvimos ao som de microfone: “OLHA AS GALINHAS DA ARATU”...  Era Guru – sim, esse Guru da Skin, dos blocos, outro velho agora – as gargalhadas de cima do trio da “Companhia Clic” com Daniela Mercury cantando linda, dançando, cheia de gás como se fosse sábado de carnaval seis da tarde!  Simone e eu só não levantamos pra aplaudir porque já estávamos de pé, mas foi contagiante... e nós duas dançamos e cantamos muito com ela. E quem  está no lugar dela?  Desse jeito, nós sabemos, ninguém.

Morei um tempo na Ladeira da Barra e numa madrugada de carnaval fomos acordadas eu e Didi (Edinete de Oliveira Melo) com Jorge Zárath – então cantor do Crocodilo - que descia a ladeira em direção a Barra com o trio,  e no meio do caminho se botou  gritar “Acorda Denis.... Acorda Didi... “  A gente, morta... e ele... naquele pique irreal!   

Xanddy – maravilhoso – chegou com 18 anos encantando... e com aquela quebrada de quadril de deixar... bom, de deixar todo mundo babar. No último dia de carnaval, Xanddy cantou se apoiando na proteção de ferro do trio pra não cair. Não aguentava nem ficar em pé... que dirá dançar...

Ivete era quase adolescente, magrinha, sequinha, frágil. Botava aquela criança em cima do trio e não tinha pra ninguém... E ela nem era casada com nutricionista. Era só na paixão e no talento mesmo! Dela e da gente.   

Hoje quem, dessa geração jovem, fica lá, em cima do trio, no gogó, sol a pino de verão brasileiro, feliz, falando com todo mundo, reverenciando o carinha João Ninguém que joga água na galera da arquibancada, ou a velhinha que  todo ano fica na mesma janela da Avenida Sete? Sem personal isso ou personal aquilo e um monte de ista grudado como meus ídolos fizeram?

A turma da imprensa também se lembra que organizar a fila de blocos foi super hiper difícil - mas porque todo mundo era importante, todo mundo era Bam Bam Bam... todo mundo era estrela!  A Rede Globo e a Rede Manchete nem se preocupavam com a Bahia, porque fosse a hora que fosse necessário dar flash nacional ao vivo, tinha “estrela” passando na avenida.
A imprensa? Ah... a imprensa  ficava nuns tais praticáveis impraticáveis onde cabia a câmera no tripé e mais 2 ou 3 pessoas. Se precisasse mais gente, ficava pendurado por fora.
Radialista? Fotógrafo?  Tinha que pedir pra subir num daqueles armengues e a gente só podia deixar escondido... porque o patrão proibia mesmo! Até porque, cada vez que a gente espirrava a câmera balançava.  

Todo mundo que sai em bloco sabe que depois do Campo Grande a coisa toda muda, porque é muito punk ter pique pra aguentar uma avenida pela frente. Seja em cima, seja em baixo do trio. Acho que só dos lados mesmo... E foi todo mundo se mudando pra Barra Ondina. Mesmo assim pesa...  a idade pesa... Aí, uma hora parado aqui fazendo homenagem... outra hora parado ali em frente ao camarote de não sei quenzinho... mais hora no próprio camarote... e o carnaval vai... este ano com direito a Chiclete DENTRO de camarote (Wadinho e Bell bem que merecem um arzinho condicionado).  

Quatos anos tem Daniela? Durval? Ivete? Margarete? Sarajane? Ricardo Chaves? Márcia Freire? Tatau?  Serginho da Pimenta? Luiz Caldas? Quem mais... Gerônimo? Carlinhos Brown? Bell?  (Bell eu sei por causa da minha própria idade – por isso em reverência a ele não digo mais quantos anos tenho!) 
E nosso símbolo Caetano? E O mestre Gil?
Pensando bem, todos (nós) merecemos um carnaval com arzinho condicionado. 

Senhoras e Senhores amigos de copo, de suor, de mortalha e gogó, envelhecemos muito bem!
Quem ta chegando que invente um carnaval melhor, porque o nosso foi perfeito!






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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Nunca Mais é agora




Toda noite devia ser Lua Cheia. E deveria haver um decreto sagrado permitindo uma oportunidade antes do Nunca Mais. Um telefonema, um oi, tchau. Um tempinho.  Nem que fosse só pra dizer pro filho: Vai com Deus!








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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

EM NOME DA ROSA





Gosto de paquerar de carro.
É fácil e indolor. 
É parar no sinaleiro e dois segundos depois olhar pro lado. E no carro a esquerda está um belo homem que sorri discretamente se percebendo olhado e agradece com aquela inclinada de cabeça.  Vc disfarça...
Olha pra direita e o motorista já estava olhando pra você, sorrindo, esperando pelo seu olhar. Ui...
Como na letra da música o sinal abre e lá vamos todos. Aqui, já em outra velocidade seja qual for, mas que seja suficiente pra não perder  o outro no trânsito. Às vezes não dá... e quando um se afasta já segue rindo buzinando...

Quantas vezes fiz amigos no trânsito!  Em Santos ou na R. Augusta as amigas e eu estacionávamos  pra “conhecer melhor” os futuros.  Futuros nada, futuros namorados, futuros amigos. 
Tive um namorado quase marido assim. Lindo, de carro lindo, de cidade linda. Andou uns 3 quilômetros do lado do carro da Rô no trânsito engarrafado de um sábado a noite. Carro emparelhado.  Eu não virava o rosto porque não queria nem ver  o tal...  e a Rô falava: “Miga... vira porque vc vai gostar.”   Ela – como sempre – tinha razão!

Aqui  em Salvador  nosso Sydney Rezende, um dia,  passou distribuindo rosas pelas janelas dos carros das mulheres que encontrou na rua. E não era “ação de marketing”.  Era aniversário dele.         Hoje Sydney vai ter muita dificuldade pra repetir a gentileza...

Fui de táxi até ali e, parada nos sinaleiros, percebi que os filmes escuros nos carros são mais do que um acessório de segurança. São mais uma barreira na afetividade gratuita, no sorriso solto,  na troca de telefones descompromissada.   São paredes que me impedem de ver a criança que vai no banco de traz me dar tchau ou fazer careta (lembram como era?).  E nem sei se tem cachorro dentro daquele carro.

Em nome de um sorriso gratuito, de uma mesura sacaninha feita com a cabeça,  de um numero de telefone trocado ou de uma rosa passada  pela porta do carona, juro que quando parar no próximo sinaleiro vou abaixar o vidro.
Se for vc do lado, já sabe o que tem que fazer.
(por licença poética, não se fala em assalto)

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A chic é Rosana
Não usa pretinho
pra não dar pinta





Denis
coluna tranqüila
e coração ereto






Tássia
pin up e lambe-lambe
Lambe cria






Dorotéia
só escreve em italic







Paula Bolzan






Nívea Bona
Marca compasso
Vem pro abraço






Marina Victal
Mineira apresenta armas
Espada em punho








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Enviado Divino
Meu Primeiro Professor









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    II Clichê


    III Clichê


    IV Clichê


    V Clichê


    VI Clichê




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