domingo, 14 de setembro de 2014

Aécio, Dilma e Marina. O ego, a presidência e as galinhas.



Essa campanha política me deixa deprê.
Gosto de política desde sempre. Nasci em Santos e sou geração pré 64. Para os iniciados basta.  Parentes, vizinhos, professores, amigos, todos vítimas da ditadura. Faculdade fervendo.  No começo dos anos 80 lembro como hoje a primeira vez que vi no estúdio da TV Aratu, para o mesmo Bom Dia Bahia, Manoel Castro, prefeito e Loreta Valadares, a comunista.  Do lado de Manoel Castro o Tenente Mendes todo cheio de cordinhas amarelas no uniforme (eu conhecia o Tenente do carnaval de Rua de Salvador – ficávamos na mesma turma com Saldanha - em frente ao pé de mulher). E verbalizei alto: “Isso é democracia”.  E todos rimos, felizes.  Gente educada! Civilizada!  Era tempo do excelente Jornal do Brasil – leitura diária obrigatória e deliciosa.  Eu quero votar pra Presidente demora um pouco mais. Tancredo morre.  Instala-se a Constituinte.  Eleição direta em 89.  Todos os candidatos passaram pelo estúdio da TV Aratu.  Ou no Bom Dia ou no Opinião ou nos dois.  Grandes e excelentes jornalistas como entrevistadores.  Eu só mediava...  Foi um período excepcionalmente bom.  Onde outro Ulisses, outro Mario Covas?  Cadê  um Afif com “juntos chegaremos lá” e aquele bizarro gesto com as mãos?   Lula! Lula, no Bom Dia, viu um TP pela primeira vez...  “e eu pensava que eles decoravam aquilo tudo...”    Teve Collor.  Sabemos.  Mas foi uma bela campanha!  Foi A campanha.
E agora.
Nós, seres humanos, estamos cada vez mais insuportáveis.  Com egos que não entram nos carros (creio que é por isso que cada vez mais os carros estão maiores, mais altos, mais potentes e mais caros).  “Não há porque eu não fazer o que quero. Quem manda em mim?  Eu sou assim e pronto!  Quem quiser gostar é assim” – ouvimos toda hora.   As frases de efeito, de auto-ajuda, trazem embutido esse conceito de primeiro eu.  Textos tipo “eu já estou na idade de não me incomodar mais com o que os outros pensam” demonstram no nosso dia a dia o “cagando e andando” tão gostoso com duas pedras de gelo. 
Quem não roda nessa freqüência vira Geni.  Seja voluntário no Instituto de Cegos ou protetor de animais.  Seja quem devolve o troco recebido a mais ou o doente que não quer furar a fila do transplante.  O bom, honesto, ético, é sinônimo de babaca.  O malandro, falso, ladrão, é sinônimo de inteligente.  E não há coluna do meio.  Ou você sai para o acostamento quando a estrada está congestionada ou é o trouxa preso no engarrafamento.   E já acostumamos.  Já incorporamos esses conceitos.       
Aí, começa uma campanha política para Presidência da República.  Não podia dar boa coisa.
Gente da mais alta qualidade quer por o seu candidato no Palácio do Planalto. E tudo ia de acordo com o esperado pelas cabeças mais brilhantes do País. Mas... o imponderável  bateu.    
E mais do que num “salve-se quem puder” estamos diante de um “você que se foda”.  Aqui se fala muito um provérbio perfeito pra definir essa ganância: “farinha pouca meu pirão primeiro”.   O provérbio é melhor do que a realidade porque depois do primeiro tem o segundo, o terceiro talvez.  Mas nesse mundo do poder não. É tudo meu.  Nada pra você.  Seja o pirão pouco ou muito EU QUERO TUDO.  Nem que tenha que te cortar as mãos pra vc não comer!   
Os especialistas no assunto gostam de dizer “faz parte do jogo político”.
Tô até aqui desse jogo! Política não é um jogo. É um trabalho. Uma opção. Um dever que deveria ser encarado como uma honra!  E deveria haver concurso pra político!  Na democracia o político é um representante. Funcionário público pago por quem o elegeu.   
E milhões, MILHÕES de brasileiros vão eleger a criatura que vai ocupar o Palácio do Planalto.
Que jogue milho para as galinhas. E se as galinhas não forem tão egoístas como nós, seres humanos, podem deixar sobrar uns milhozinhos pelo chão...



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1 Comentários:

Blogger Rosana Zucolo disse...

Sou pelo fim do voto obrigatório e pela instituição do parlamentarismo.

15.9.14  

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