Roberto Midlej, caderno 2 - A TARDE
O IV Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), que acontecerá em Salvador entre os próximos dias 28 e 30, vai reunir cerca de 500 pesquisadores de todo o País. Essa é a previsão do coordenador do evento, Albino Rubim."O Enecult , além de ser a maior reunião de estudos culturais no País, é um encontro muito singular porque reúne pessoas das mais diversas áreas do conhecimento debatendo um mesmo assunto, que é a cultura.Aqui, estarão presentes arquitetos, sociólogos e filósofos, por exemplo. Isso permite uma discussão transversal sobre a cultura", afirma Rubim.
Segundo ele, o evento se tornou uma referência internacional e já atrai participantes estrangeiros que se inscrevem mesmo sem ser convidados pela organização. "Neste ano, haverá apresentações de trabalhos feitos na Argentina e Colômbia ".
CULTURA
Rubim ressalta que o conceito de cultura vai além daquele tradicionalmente associado às artes, como cinema e teatro:
"Muitos defendem a visão antropológi
ca e dizem que tudo o que não é natureza é cultura. Não sou tão radical assim, mas acredito que a cultura abrange, além das artes, o comportamento e os valores. Resumidamente, digo que a cultura é tudo que tem dimensão simbólica e dá sentido à nossa presença no mundo".
Virão a Salvador teóricos estrangeiros como Massimo Canevacci (Itália), Carlos Fortuna (Portugal) e George Yúdice (EUA), além de brasileiros, como Micael Herschmann (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Renato Ortiz (Unicamp). Durante as manhãs, às 10 horas, na Reitoria da Ufba, acontecerão mesas-redondas com a participação dos convidados. Na quarta-feira, será realizada a primeira rodada, sobre Políticas Culturais na Ibero-América. Na quinta-feira, o tema será Culturas Urbanas: Cidade e Periferias. Na sexta-feira, acontecem duas mesas-redondas: a primeira, às 10 horas, tem os Estudos da Festa como tema. Às 17 horas, uma discussão sobre o Plano Nacional de Cultura vai reunir os Secretário de Cultura de Recife, João Roberto Peixe, e o da Bahia, Marcio Meirelles. Durante as tardes, a partir das 14h30, os trabalhos inscritos, que serão divididos em sessões temáticas, serão apresentados na Faculdade de Comunicação.

LANÇAMENTOS
Entre as obras que ganham destaque no IV Enecult, estão um livro sobre políticas culturais ibero-americanas – com artigos de dez estudiosos de países como Argentina, Espanha, Peru, México e Brasil – e o documentário Bolívia – Para Além de Evo Morales.
O filme, dirigido pelos jornalistas Vítor Rocha e Ricardo Sangiovanni, será exibido pela primeira vez na quinta, às 20h50, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), na Avenida Contorno. O roteiro da produção foi escrito ainda quando os diretores eram estudantes e o apresentaram como trabalho de conclusão do curso universitário. Mas resolveram dar continuidade ao projeto, que cresceu e resultou no filme de 52 minutos, que, em breve, será exibido pela TVE.
"Eu e Ricardo estávamos interessados pelo olhar da mídia sobre essa 'nova esquerda' latina e achávamos que as informações que chegavam aqui eram sempre truncadas, dando a impressão de que seus membros são mais alguns comedores de criancinhas", comenta Rocha.
Os colegas Mateus Damasceno, Lucas Santana e Tássia Novaes se juntaram aos diretores. Os cinco partiram rumo à Bolívia, onde passaram 40 dias acompanhando movimentos sociais, a exemplo dos mineradores e cocaleros, simpatizantes do presidente Evo Morales. Depois de muita persistência, os jovens jornalistas conseguiram uma entrevista exclusiva com Morales, que conversou com eles na sede do governo, o Palácio Quemado, na capital boliviana, por cerca de 50 minutos.