
Ontem voltando pra casa tarde da noite, no táxi me peguei esquadrinhando as ruas em busca de animais...procurava algum pobrezinho com frio. Nem sei o que faria se visse um: mandaria o taxista encostar? Desceria num lugar deserto?
Isso me fez pensar em quando e como isso começou. Quando em tornei protetora? Quem foi que me deu esse título?
Não foi com a adoção das minhas virinhas...embora o meu amor por elas tenha me tornado muito mais sensível aos problemas dos que vivem nas ruas.
Será que foi com a cadelinha pretinha que encontrei na esquina da minha casa? Será que a mudança veio no momento em que, depois de 30 minutos chorando sentada na porta do prédio, peguei a cadela no colo e a coloquei na minha cozinha numa noite fria? Naquele dia eu não sabia ainda o que era ser protetora...não sabia que havia grupos que poderiam me ajudar. Naquele momento eu chorei e me senti sozinha. Até que apareceu a Adriana. Ela veio e levou a mocinha numa moto. Conseguiu uma casa pra ela. Me salvou e salvou uma vidinha.
Será que foi o Camões? Ele foi resgatado por mim num estacionamento...o olhinho ferido...consegui apoio de um amigo veterinário, pela Net consegui lar temporário e adotantes incríveis pra ele. Será que foi aí que me tornei protetora?
E por falar em net, será que foi nela que, ao encontrar outras pessoas com os mesmos sonhos que eu, me tornei uma delas? Protetora? Na Net conheci Candices, Milas, Fernandas, Déboras. Com elas veio o aprendizado : é preciso se programar, encontrar LT, vacinar, vermifugar, cuidar, entrevistar adotante...
Pode ter sido também quando recentemente vi um poodle ferido nas proximidades do meu trabalho e tentei de todas as formas resgatá-lo. Mais uma vez a Adriana veio em meu socorro. O poodle, infelizmente, fugiu...mas em mim ficou a certeza, ao vê-la correndo com um cambão e uma rede nas mãos morro acima, que ainda tenho muito o que aprender...
Talvez essa semente tenha sido plantada há mais de um ano, quando presenciei um animal sendo surrado pelo dono...no momento em que ouvi os gritos daquele cão e desci correndo o terreno na zona rural, feito uma louca sem pensar direito no que podia me acontecer, eu acho que ficou plantada no meu coração essa vontade de salvar todos eles...
Na verdade acredito que tudo isso tem me tornado, aos poucos, o que as pessoas chamam de protetora de animais...tudo isso tem me trazido a dor e a delícia de amar incondicionalmente esse seres peludos. Dói e antes não doía tanto vê-los nas ruas. Mas ao mesmo tempo dá uma alegria imensa ver a recuperação de cada um que conseguimos retirar dessa situação. Há dias em que é difícil continuar...são muitas histórias tristes, muitos finais infelizes...mas é preciso acreditar que a vida de cada Camões, cada Pirulita, cada Nina e cada Judith que tiramos das ruas valeu todo e qualquer sofrimento.
obs: Na foto, Camões, depois da cirurgia de retirada do olhinho e seu novo dono.