NOITE DE GAFIEIRA
Mas a janela do casarão serve mesmo é pra refrescar. Poucos olham pra fora. O negócio é se encostar com a nuca pra brisa suave da noite enquanto o samba corre solto no salão.
A retomada do galpão do 104 Tecidos como espaço cultural é dos melhores acontecimentos nos últimos tempos na vida cultural belorizontina.
O casarão foi todo recuperado, mas não perdeu o charme. Já na entrada o Café com direito a piano de cauda e iluminação indireta deixam o visitante no clima. Os portais gigantescos e o pé direito absurdamente alto não intimidam. Pelo contrario, convidam à viagem.
Subir as escadas de ferro é como mergulhar nos bailes das décadas de 40 e 50 na zona boemia de Belo Horizonte. O som é da banda Senta a Pua: música instrumental de qualidade e repertório de clássicos do choro, maxixe, samba-canção, bolero e chá-chá-chá.
Os frequentadores são de todas as tribos. Jovens nostálgicos ainda usam os chapéus dos sambistas de outra década; casais de 50, 60 anos, os homens com sapato engraxado, as senhoras com os elegantes saltos; professores e alunos das escolas de dança de salão da capital; gente visivelmente com grana; gente aparentemente sem grana; meninas de vestido leve e sandália rasteirinha, prontas para enfrentar o calor.
*Aliás, o calor merece um comentário à parte. Voltemos às janelas. Elas são o único alívio para quem se arrisca a dançar. Tá aí o único pecado: faltam ventiladores ou ainda um bom ar condicionado. Tudo bem que não é pra descaracterizar o lugar, mas fica todo mundo ensopado de calor.
Todo mundo se mistura num salão gigantesco. Arrisco-me a dizer que seja o maior espaço pra se dançar em BH. O clima é das antigas mesmo: Sem empurra empurra, sem confusão. E se te convidam pra dançar, não dá pra dizer não. Etiqueta de salão.
Para os não iniciados no samba de gafieira, nada de pânico: dá pra sentar, tomar uma cerveja numa mesa bacana ou num dos sofás espelhados pelo enorme salão. Dá pra ver gente bonita e dança de salão de qualidade. Dá pra paquerar. E depois de umas cervejas, se arriscar a sambar um pouco. Não é pecado e nem todo mundo é profissional. O negócio é se divertir.
O mineiro vem mostrando que gosta de samba. Na capital já são muitas as casas especializadas. Desde a tradicional Cartola, no Caiçara aos novos points na Savassi: Bhar Savassi, Ideal e Gamboa são ótimas opções mais centrais.
Marcadores: Nina Rosa




7 Comentários:
KKKKK, piano de cauda e não de corda!!! Arruma pra mim, Amélia???
Quando eu for aí, vc me leva lá?
Bom te ler aqui, Nina!!! bj
Que delícia, Nina!!!! Tbém quero experimentar!!! beijo grande
HUm...cartão picotado e parceiro de dança garantido...isso é tentador...beijos nada sambistas mas interessados.
tb quero conhecer!
Tô vendo que vou ter que organizar uma excursão rsrsrsrs que venham todas!
Eu topo a excursão!!! :)
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