Luto canino
O mais triste da morte de alguém muito próximo é que ela fica voltando durante dias e dias...acho que durante toda a vida de quem fica, em forma de saudade.
Perdi meu cão. E por mais que eu tenha gastado lágrimas e mais lágrimas no dia da morte dele, a dor fica voltando. Volto para casa e quase espero encontrar a figura peluda dele eufórica com a minha chegada. Eu o vejo nos cantos da casa. Espero o latido dele quando ligo a máquina de lavar. Me pego comprando as coisas que ele passou a comer no fim da vida quando vou ao supermerado.
Nem todo mundo entende. Alguns criticam. Outros me mandam arumar outro. Pra maioria era só um cachorro.
Mas ele era meu amigo, meu companheiro de todo dia. E por esse amigo eu ainda vou sofrer um pouco, ainda que outros cães, certamente, venham a fazer parte da minha vida.
Marcadores: Nina Rosa




13 Comentários:
É isso! Nada mais a declarar!
Eu tenho mais a declarar: descobri ,há muito pouco tempo,que animais e objetos são seres vivos e quando se vão,partem o nosso coração,para sempre.Um dia nos pegamos sorrindo outra vez mas nosso coração relembra,sente falta e chora.Beijos solidários.
Pois é, Nina! E a vida segue! Nada a declarar tb! bjs
!!!!
São amigos que deixam saudades...
Querida amiga, infelizmente não havia mais a fazer além de se doar como vc fez. Certamente, vc tb foi de grande importância para aquele peludo que um dia ajudou minha filhota a se levantar de um tombo na praça. E ela, ainda se lembra disso. Agora, em nome da atitude dele e da nossa amizade, estou aqui para te ajudar a se levantar. Um beijo muito carinhoso!
Que lindo o abraço da Carine.
Eu tb ja falei q sinto muito e compartilho através deste momento um grnade abraço amigo!
oi filha,mm distante eu compartilho da sua dor...Só o tempo vai amenizá-la.Sei o que ele representou na sua vida e o quanto vc foi importante pra ele.Aos poucos a dor vai diminuir e ficará a saudade dos momentos felizes que vcs passaram juntos.Bj solidario
Não é que vá substituir... mas se pintar outro bichinho é legal também!
Afff irmã!!!!! Nada a declarar tbm!!!! Ápenas que te admiro muito e que sei direitinho o q vc ta sentindo.Bjao
Não te conheço... Mas quero dizer que te entendo! E muito. Eu vivi e vivo essa perda todos os dias. 15 anos de amor, carinho, amizade e companherismo. Sinto muito...
09 de dezembro de 2009
A alma da Pink
PAULO SANT’ANA
Morreu minha cadelinha Pink, com 13 anos de idade.
Era a única pessoa que me fazia festa quando eu chegava em casa. Era de ver-se a alegria de que ficava tomada, saltando, latindo, esperando de mim uma reação afetiva.
Morreu a minha cadelinha poodle, pelos eriçados, cor de chumbo, olhos alertas, uma alegria de viver que se transmitia a todos.
***
Morreu minha cadelinha Pink, e eu ainda tropeço nela no corredor como se ela ainda existisse, tenho o cuidado de fechar a porta do quarto para que ela não entre e não suje o tapete. É incrível, mas eu procedo ainda como se ela vivesse. Impregnou-se tanto em minha vida, que a minha existência prossegue tendo-a como companheira de todas as horas.
***
Não dá para esquecer que, quando eu saía de casa, ela mostrava uma angústia tremente, parecendo que ia me perder para sempre.
Como eu, tinha labirintite. Como eu, deve ter sofrido muito. Em seus últimos dias, tossia muito a pobrezinha, sobrevivia à custa de muitos remédios, mas ostentava um petulante orgulho de viver.
O que me amassava era que ela não podia transmitir o seu sofrimento. O que será que pensava quando a tontura lhe tirava o apetite de viver? Como deve ter na sua mudez se desesperado por não poder dizer o que sentia. Era uma dor sozinha, um isolamento, sei lá como se sentem os animais quando adoecem e talvez não percebam que podem morrer.
***
Um vazio percorre a casa. Aquela ânsia permanente por outra comida que não fosse a ração, aquela curiosidade por tudo o que se fazia em torno dela, aquele rosnar furioso e com latidos quando a gente ameaçava, brincando, que iria tocar na sua cama e no seu lençol, são todas imagens que não se apagam da minha lembrança.
***
Os cães têm alma, tenho certeza disso. Se ela não tivesse alma, não teria deixado tamanha saudade. Não tivesse e não se apoderaria de mim esta tristeza que me penetra como um punhal de nostalgia da Pink.
Aquele sonho de que, depois da morte, iremos encontrar com nossos seres queridos tem no meu caso como centro a figura da Pink.
Mimosa, querida, adorada, vai estar no céu entre meus amigos e meus parentes, agitando a todos com seus latidos e aquele olhar suplicante por comida diferente.
Mimosa, dedico todos os dias para ti uma boa e quieta quantidade de lágrimas.
Marco,
Seu texto me comoveu... Obrigada por dividir sua dor comigo. Eu estou bem melhor agora. Quase diariamente trombo com uma lembrança do meu cão e derramo uma ou duas lágrimas. mas me recupero logo. Agora tenho um outro ser vivo que depende de mim e da minha vontade de viver. Adotei a Nina numa ONG e a presença dessa vira-lata na minha vida tem me feito muito bem. Não substitui o outro, mas ajuda a preencher o vazioe me sinto fazendo algo de bom.
Oi mulher! Bah, chego tarde mas trago minha solidariedade. Eu tinha esquilos aqui. E fui capaz de passar colírio, remédio na barriga e de comprar diversos cereais diferentes só para deixá-los felizes roendo. Eu chegava em casa e ouvia aquele barulhinho de um micro-alguém que tinha transformado uma caixinha de remédio em farofa durante o dia. No fundo morri junto com cada um deles e hoje entendo a minha mãe quando diz que prefere não ter um outro bichinho. Dói demais. Mesmo assim sei que a minha porta vai estar aberta a outro que vier. E, sim, eles têm alma.
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial