PRESENTE
Quase véspera, um presente intransferível.
Chegara das ruas, uma espécie de antesala do inferno: trânsito congestionado em todas as vias e um calor de 37º à sombra. Em fuga, uma parada estratégica no apartamento da Gleuzinha (uma divina perdida do seu bando) e ouço uma música vinda da janela.
Me aproximo do parapeito e vejo a melhor cena das últimas semanas. Um andar abaixo, na sacada ampla da casa ao lado do edifício que começava a ser pintada, um rádio ligado numa tomada externa tocava uma romântica música do Roberto Carlos ( em alto e bom som). Um homem jovem no que seria vestes de trabalho - camiseta do inter, bermudão e sandálias de borracha literalmente manchados de tinta de diferentes cores - pintava a parede com um rodo de longo braço, seguindo o ritmo da música. Parava um pouco e limpava os respingos do chão com um pano que trazia sempre ao lado dos pés. Centrado no trabalho e na música, ignorava o calor forte e o barulho da rua. Aos poucos a parede se tornava branca.
Não sei quanto tempo fiquei a observar aquela cena, tamanho o cuidado e a harmonia naquele fazer. Era alguém de bem com a vida. Alheio ao caos natalino, tinha um ar de felicidade.
Marcadores: Rosana Zucolo




4 Comentários:
Graande presente! E nós de Noel heim? Eu tô besta que só...E você de ladinho que se acha!
KKKKKKKKKKK Nataldetes? E aquelas botas brancas???KKKKKKKKKK
MAravilhosas!!!! Me amei!!!
Parece cena de filme... daqueles bons, que a gente tem vontade de assistir de novo depois.
P.s.: Sim, as nataletes são o máximo.
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