Bota fora de natal: peru, não
Aqui em casa todo ano no natal tem macarrão, feito por minha mãe. Divino.
Peru faz uns anos que não vejo na mesa.
Família pequena - somos quatro, os parentes do interior nunca vêm, nós nunca vamos, às vezes a gente consegue trazer vó Zilda e só. Quando ela não vem faz muita falta. Foi assim esse ano. Nos encontraremos apenas no reveilon.
Fora isso, é senso comum que a carne, o sabor do peru, não é muiiiito do agrado da família. Unânimidade.
Se for oferecido a gente não dispensa, belisca, tira uma lasquinha, mas, assim, se mobilizar pra assar, a gente não se anima muito.
Só porque é natal?
Preferimos uma picanha suína, um quilo de camarão ou, como foi feito hoje à noite, um tender - que eu também não gosto muito, confesso.
Meu namorado disse que nunca viu disso. Diz ele que "no natal, a gente come o que cisca pra trás - o peru, por exemplo - que é pra lembrar de tudo o que foi feito durante o ano. Porco a gente come no ano novo, porque fuça pra frente e a gente precisa ir pra frente".
Diz ele que esqueceu de me falar isso ano passado também.
Ã?
Ié?
Eu que nunca tinha ouvido falar nisso. Herege, eu? Não, né! Tenho fé no coração.
E tender, que bicho é mesmo, hein? Tender tem asa e bico? Cisca pra onde?
E esse ano ganhamos um peruzão. Ele que trouxe.
Ganhou na empresa, na cesta de natal e acabou deixando tudo por aqui: nozes, uva passas, abacaxi em calda, mistura para bolo, queijo de cuia, gelatina, azeitonas, biscoitinhos salgados, panetone Irmã Dulce e mais umas coisinhas que não recordo direito agora.
O peruzão demos à faxineira. Ela adorou, claro.
O resto a gente tá traçando aos poucos em meio as outras váááárias delícias que papai comprou - uma delas, torta de ameixa de uma quituteira maravilhosa em Brotas, Luciana.
E o tal do tender ficou bonito.
Espetadinho de cravos, como manda a receita natalina, regado com pêssego e ameixa, rodeado com folhas de alface fresco. Deu um colorido divino na toalha de renda branca, branquíssima, alva da cor de coco.
Toda a casa está assim: limpinha, branquinha.
Não há um único canto que não tenha sido desempoeirado.
Móveis removidos, gavetas reorganizadas, guarda-roupas arrumados.
Fazemos um faxinão todos os anos. Com ajuda de todos, cada um limpa o seu canto. Demora uns três, quatro dias.
Vai pro lixo tudo o que não tem serventia - papéis e cacarecos inutilizados. E vai pra quem precisa o que a gente não gosta mais, mas ainda que ainda serve pra outra pessoa - roupas, sapatos, panelas e por aí vai.
Aproveitei e mudei a posição da cama. Agora tô dormindo com os pés apontados pro mar. Embora eu não o veja aqui da janela, mas sei que ele tá logo ali, atrás dos prédios mais altos.
Só depois armamos a árvore, o presépio.
Empeduramos a bota e, esse ano, excepcionalmente, faltou a guirlanda. A bicha sumiu e não deu tempo de comprar outra.
Esqueci de fazer fotos do tal tender. Agora o prato já está pela metade.
Barriga cheia, feliz recordação.
P.s.: Amélia, minha flor, não se zangue comigo. Mas eu JURO que a minha cor sumiu da minha palheta paleta de opções.
Resp: Dona Tássia, palheta é café. Para cores é paleta. O código da sua cor é #999900 - mas A Patroa - em clima natalino - diz que se a Senhora quiser trocar, troca. E aí eu mifu tendo que trocar tudo que a senhora já fez. E olha, eu adoro tender com cravo. E queijo cuia. E a Senhora não mandou não sei qual das listas. Acho que foi a de 2010 eu vou. Favor mandar. A Senhora, A Senhora sua Mãe e o Seo Namorado. Obrigada e até.Marcadores: Tássia Novaes



1 Comentários:
O que seria de mim sem a digníssima estagiária. o quê, meudeus? O quê?
Amélia eu te amo!
Vou aprontar as listas - a minha e a dos outros
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