segunda-feira, 4 de maio de 2009

Respeitem a asma de Che

"Prefiro enfrentar um soldado a um jornalista" Che, de Steven Soderbergh
Faz pouco mais de uma semana que assisti Che no cinema. Comi pizza e dei risada depois da sessão: saí satisfeita. Poderia ter tido aversão ao filme. Mas, para mim, Soderbergh acertou em cheio por priorizar a humanização do relato. Prefiro as histórias que são contadas assim. Gostei de ver o combate corpo a corpo na guerrilha, a exaustão, as poucas armas, o caderno de anotações, a mata densa, a adesão dos camponeses, a coletividade. E pensar que tudo deu certo com ganas, lápis e papel. Sem atiradeiras de longo alcance, sem visão noturna, sem satélite. Para orientar, apenas experiência nata e a certeza de que era preciso revolucionar. No dia seguinte, comecei a ler as críticas sobre o filme nos principais jornais do país (não faço isso antes de assistir qualquer filme. é muito arriscado): um horror. Pedras atiradas para todos os lados. "Falta algo mais"... "porque o filme só serve pra reforçar o mito"... "é partidário"... "não justifica o gasto"... "foram mais de seis anos de espera... merecia mais".... pererê parará. E eu pergunto: falam de Che ou do filme? Não entendi. Sim, Che é um mito. Quem escalaria Sierra Maestra com asma sufocando o peito? QUEM? Todos os dias tentamos convercer a nós mesmos com mil e uma desculpas para tudo aquilo que gostaríamos de ter feito mas não fizemos. A culpa é do trabalho, do governo, do marido desgastado, do pneu furado, da vizinha envejosa, do capitalismo selvagem, da rua alagada etc etc e esquecemos que ninguém mais é capaz de cuidar daquilo que é nosso stricto interesse além de nós mesmos. Esperamos e culpamos o outro porque não somos capazes de mudar o que existe dentro de nós mesmos. Che cuidou perfeitamente do que era dele e por isso é o meu herói. A revolução de Che começa dele para ele mesmo. Do contrário, chegar em Havana não daria certo. Além do mais, vamos falar da parte técnica, da qualidade da produção, afinal isso muito interessa. Ninguém se deu conta do que disse Walter Salles para Folha Online: "É necessário aplaudir o fato de que um realizador norte-americano tenha rodado dois filmes sobre Guevara em espanhol". E Del Toro completou: "Foi o papel mais difícil que já fiz". Por dois motivos: complexidade do personagem e também por causa da língua. "Saí de Porto Rico aos 13 anos. Che tem um espanhol de intelectual. Foi difícil pra mim". Até Santoro afiou a língua. Embora apareça pouco, tá super bem no filme.
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[foto encontrada na net - autor desconhecido]

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3 Comentários:

Blogger tássia disse...

a culpa é do governo, do marido e do salário baixo!!!!!

5.5.09  
Anonymous Rosana disse...

Também assisti ao filme. Achei um soco no estômago! E sim, " hay que endurecer sem perder la ternura"

5.5.09  
Blogger denis rivera disse...

Entrando no restaurante com o casal de jovens, NA SEXTA FEIRA - o moço/vendedor/pirataria começa o diálogo com o casal na minha frente:
- Tem Volverine... Pega aqui...
- a gente assisitu ontem.
entro eu:
- tem aquele do Clint Eastwood?
- Qual?
- não lembro ...
- As cartas de Hiroshima?
- não... é o último, aquele do carro...
- Gran Torino?
- é...
- Tenho. Cinco real.
Hummm... Para provocar pergunto:
- tem Che?
- Tenho. O Um e o Dois.
Hummmm.... hummm.... e hummmm....
- Me dá os três. E você tem Divã?...
[o ser humano não presta mesmo]

5.5.09  

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